plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 22°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

No Pará, mata-se mais que em zonas de guerras

Todos os anos, morrem no Brasil 285% mais jovens de 15 a 29 anos do que pessoas em outras faixas etárias. Este triste fenômeno é chamado de vitimização juvenil e se repete em todos os estados, nas capitais do país e nas cidades com mais de 20 mil habitant

twitter Google News

Todos os anos, morrem no Brasil 285% mais jovens de 15 a 29 anos do que pessoas em outras faixas etárias. Este triste fenômeno é chamado de vitimização juvenil e se repete em todos os estados, nas capitais do país e nas cidades com mais de 20 mil habitantes, onde as mortes por armas de fogo têm avançado de forma assustadora. Ananindeua é um exemplo disto: a taxa média de mortalidade por arma de fogo de jovens é de 228,0 para cada grupo de 100 mil habitantes. Índices acima de 100 mortes por 100 mil habitantes equivalem às de zona de guerra.

A verdadeira guerra urbana no segundo maior município do Pará foi identificada no estudo “Mapa da Violência - Mortes Matadas por Armas de Fogo”, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e editado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Ananindeua destaca-se no ranking de mortes de jovens como a terceira cidade do Brasil onde ocorrem mais crimes desta natureza. A cidade paraense perde apenas para Simões Filho (306,0) e Lauro de Freitas (247,0), ambos na Bahia.

As taxas municipais são tragicamente mais elevadas também em Itabuna (Bahia), Maceió (Alagoas) e Cabedelo (PB). Todos estes municípios superam 200 mortes por 100 mil jovens. Esses municípios, de acordo com o sociólogo Julio Jacobo, há alguns anos, vêm aparecendo nos primeiros lugares nacionais nos mapas da violência, sem apresentar significativa melhora de seus indicadores. No Pará, Marituba (170,9), Marabá (140,9) e Castanhal (101,0) também apresentam situação de zonas de guerra por causa do elevado número de mortes de jovens.

O Mapa da Violência 2015 mostra que as zonas metropolitanas das capitais, sem as mesmas condições de manter os aparatos de segurança das vizinhas mais ricas, estão herdando os crimes e as mortes. Mas Belém também pode ser considerada região em guerra quando se trata de mortes por arma de fogo da população em geral. Na capital paraense, segundo os estudos, a taxa de óbitos por 100 mil habitantes medida no período de 2002 a 2012 foi de 108,7. Com relação à população jovem, esta taxa aumenta para 149,7 mortes por 100 mil habitantes.

Apesar de o ritmo de crescimento da violência ter se reduzido na última década, o extermínio de jovens - especialmente negros - ainda ameaça o futuro do país. O relatório mostra que a taxa de homicídios começa a crescer aos 16 anos, quando pula de 19,7 por 100 mil habitantes para 37,1. Aos 17, já está em 55,6, chega a 62,9 por 100 mil aos 19 anos e se mantém acima dos 50 até os 24 anos. São números que competem.

“O Brasil, sem conflitos religiosos ou étnicos, de cor ou de raça, sem disputas territoriais ou de fronteiras, sem guerra civil ou enfrentamentos políticos levados ao plano das armas, consegue vitimar mais cidadãos via armas de fogo do que muitos dos conflitos contemporâneos”, diz o estudo.

Toda essa violência é concentrada nos homens. A taxa de mortalidade entre as mulheres no Brasil é de apenas 2,6 por 100 mil e se mantém em torno de três em 21 das 27 unidades da federação, só aumentando drasticamente em Alagoas, estado mais violento do país, quando chega a 6,1 por 100 mil. No Pará, a taxa é de 3,3.

Por outro lado, a taxa nacional para mortes masculinas é de 42 por 100 mil - entre os jovens, 95% dos assassinatos são de meninos - e chega a 107 por 100 mil em Alagoas. No Pará, é de 53,7.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!