Ao longo de 51 dias de greve, a pauta de reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintepp) solicita ao Governo do Estado que divulgue o calendário de reforma nas instituições de ensino do Pará. O pedido, segundo o Sintepp, vem sendo negado.
“Estamos cobrando do Estado esta planilha de obras. O que está sendo feito nas escolas e que dizem na imprensa. Hoje nossas escolas estão abandonadas. Alunos tendo que voltar pra casa, pois não tem infraestrutura. Nossa pauta também é social, em benefício da sociedade”, elucidou Matheus Ferreira, coordenador geral do Sintepp.
No mês de abril, após uma forte tempestade, parte do arquivo da biblioteca da Escola Deodoro de Mendonça foi totalmente destruída. “Perdemos uma biblioteca de 40 anos. Tudo porque a obra que o governo disse que fez, foi apenas uma maquiagem para disfarçar e tentar enganar a população. Até hoje na nossa escola temos goteiras, as paredes estão com rachaduras”, disse o estudante de Álvaro Bentes, que estava na manhã de quarta-feira,13, no Centro Integrado de Governo (CIG), com os professores.
Uma professora que preferiu não ser identificada trabalha há 35 anos na Rede Estadual. Ela afirma que as escolas em que dá aula nunca estiveram tão abandonadas “Sou professora do Brigadeiro Fontenelle, e lá vivemos no descaso. Ano passado fiz minha transferência integral para Belém. Presenciei cenas no Nordeste do Pará, que as crianças precisavam entrar com sombrinhas para assistir aula.”, lamentou.
Por trás do muro da Escola Estadual Professora Dilma Souza Cattete, no conjunto Pedro Teixeira, em Belém, a educação divide espaço com uma infraestrutura precária e com o sonho dos alunos e professores de conquistar uma rotina digna em sala de aula. Através das grades, um grupo de estudantes sinalizou para a equipe de reportagem, na manhã de ontem, como se a denúncia fosse um dos últimos recursos para eles serem ouvidos pelo Governo do Estado.
Em outubro de 2013 a escola passou por uma reforma com o valor de R$ 700.954,13, que deveria ser entregue em 180 dias, prazo que ultrapassou, e só no final de 2014, as aulas voltaram ao normal. No retorno, os alunos foram surpreendidos com a mesma situação: salas com goteiras e infiltração, quadra de esporte sem piso e muro quebrado, banheiros alagados, bibliotecas fechadas e mato ao redor do prédio.
Obras em escola se resumiram à pintura.
(Diário do Pará)
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