Durante visita a Belém, ontem de manhã, pelo projeto Câmara Itinerante, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não poupou críticas ao Poder Executivo em suas falas, avisou que o projeto de reforma política deve ser votado até o fim do mês e que ainda há muito o que se definir até lá. “Reforma política é igual [a escalação da] seleção brasileira, cada um tem a sua”, comparou. Também endossou a necessidade de que o Pará, como Estado exportador, seja compensado pelas perdas causadas pela Lei Kandir.
Cunha garantiu que a Lei da Terceirização protege o trabalhador em 90% de seus artigos e se esquivou das recentes acusações do doleiro Alberto Youssef de ser um dos envolvidos no escândalo da Petrobras.
O parlamentar pareceu não se incomodar com o protesto pacífico organizado por frentes sindicais, dentre elas a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Única dos Trabalhadores (CUT), que lhe recebeu de forma hostil na segunda agenda do dia, quando retornando de uma visita ao Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) chegou à sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e soube de um carro-som com um pequeno grupo de manifestantes o “expulsando” de Belém.
O ato foi contra a condução da votação do PL 4330, que permite a subcontratação em todos os setores, que foi aprovado e está em análise pelo Senado Federal. “Eu não vi esses que estão protestando aqui protestarem lá em Brasília contra outras medidas muito duras essa semana, inclusive pela terceirização da perícia médica, por parte da Previdência Social. Acho estranho, me parece uma coisa um pouquinho mais dirigida por um grupinho de interesse político”, disse.
MUSEU
Cunha iniciou a programação às 7h30 com a visita ao MPEG, acompanhado de assessores e dos deputados federais José Priante (PMDB), Elcione Barbalho (PMDB) e Joaquim Passarinho (PSD), e ainda do presidente nacional do Partido Socialista Cristão (PSC), Pastor Everaldo, candidato à presidência da República nas últimas eleições.
A visita durou pouco mais de uma hora. “Aqui é um exemplo para a pesquisa, para o Estado e para o Brasil. Pelo simbolismo da visita ao Goeldi, podemos dizer que estamos introduzindo um debate sobre meio ambiente na Câmara dos Deputados”, declarou. Ainda no local, falou sobre ser citado nos depoimentos dados em decorrência da Operação Lava Jato. “São as mesmas informações de antes e que não foram confirmadas. Ele atribui que ouviu de terceiros [sobre receber propina], que não confirmam, então eu não vou comentar mais do mesmo, é um processo que vai se desenrolar e meu advogado está pronto para responder”, justificou.
O peemedebista também falou sobre fator previdenciário. “A Câmara - e o Senado certamente vai confirmar - tinha há muito tempo um anseio pela revisão desse item. Agora tem novo processo em discussão e o governo simultaneamente sinaliza uma comissão, um fórum, que promete uma solução em 60 dias para a nova fórmula da aposentadoria”,
comentou.
Na Faepa, 19 deputados federais o esperavam, a maioria da bancada paraense, como a deputada Simone Morgado (PMDB) e alguns estaduais, incluindo o deputado Iran Lima, líder do PMDB na Assembleia Legislativa e, na ocasião, representando o presidente Márcio Miranda (DEM).
O vice-governador do Estado, Zequinha Marinho, do PSC, compareceu como governador em exercício, já que Simão Jatene (PSDB) se ausentou do cargo para ir à Argélia, na África. Em discurso semelhante ao do tucano, ele reforçou a necessidade de revisão do pacto federativo, que determina competências tributárias dos entes da Federação e os encargos ou serviços públicos que cabem a cada unidade
bancar.
(Diário do Pará)
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