As altas temperaturas dos últimos dias registradas na Região Metropolitana de Belém trouxeram o desconforto pelo calor e também a impressão de que o chamado “inverno amazônico” teria se encerrado. No entanto, a forte chuva que cai desde a tarde da última terça-feira (18) mostra que os prognósticos estavam enganados ou, ao menos, devem ser revistos.
Segundo o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), o índice pluviométrico (isto é, água das chuvas) registrado foi de 58.2 mm, quase 25% do que já havia sido registrado ao longo do mês (253 mm). Com a soma total de 311.2 mm, a chuva ajudou a superar a média registrada nos últimos 30 anos para o mês, que era de 305.5 mm.
Ainda de acordo com o Inmet, o verdadeiro "toró" que caiu na cidade e assustou os moradores foi motivado pela conjunção de alguns fatores, como uma faixa de nuvens trazida pelo ventos do Hemisfério Norte bem como uma massa de ar vindo da África. Somaram-se a estes fatores as altas temperaturas registradas nos últimos dias e a grande umidade da capital paraense.
Em decorrência de tais índices, em boa parte da cidade é possível ver alagamentos, pessoas com medo de contrair alguma doença, bueiros entupidos e mesmo encobertos, provocando riscos para pedestres e condutores.

Condutores devem ter cuidado ao enfrentar áreas alagadas em Belém. Foto: Cezar Magalhães/DOL
O alto índice pluviométrico ainda pode contribuir para outro problema inusitado: em geral agradável por diminuir o calor, a chuva por vezes o potencializa, já que em ônibus as janelas são fechadas, deixando o veículo mais abafado e quente. As pessoas ainda devem ter cuidados especiais com roupas e calçados, mais mangas caem no chão, ferem pessoas e podem quebrar partes de automóveis.
O acúmulo de água proveniente da chuva e alagamentos, no entanto, não é o principal problema em relação ao saneamento de Belém. "Os alagamentos e inundações urbanas acabam sendo em parte, uma consequência de outros problemas relacionados ao saneamento de Belém como por exemplo, a coleta de lixo e do manejo adequando dos resíduos sólidos.
Esses dois fatores, impactam diretamente sobre todo o sistema de drenagem pluvial provocando como consequência o entupimento e a perda da capacidade de performance do mesmo”, destaca Flávio Altieri, engenheiro agrônomo, analista em Ciência e Tecnologia do Censipam, pós-graduado em Ciências Ambientais pela UFPA na área de Alagamento e inundações em bacias urbanas em Belém.
(Enderson Oliveira/DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar