Próximo do término da Campanha de Vacinação contra a gripe e com o percentual de apenas 33,60% do público-alvo do Pará vacinado, a longa fila que se formou na manhã de ontem na Unidade Básica de Saúde da Pedreira chamou a atenção de quem atendeu ao chamado das propagandas oficiais veiculadas no rádio e na televisão.
Já por volta de 9h, quem chegava ao posto logo se deparava com a grande quantidade de pessoas que, agitadas, buscavam informações sobre a hora em que conseguiriam se vacinar. “A gente chega aqui e não tem ninguém pra vacinar”, diziam alguns mais indignados.
A aposentada Dulce Barradas, 74 anos, tentava pela terceira vez receber a vacina que estimula a criação de anticorpos que geram proteção contra a gripe. “A gente vem pra vacinar e chega aqui não consegue”, indignava-se. “Tem três dias que eu tento vacinar e não consigo porque é muita gente e porque começam a vacinar tarde. Hoje (ontem) eu cheguei e não tem quem aplique a vacina, só 11h”.
No meio da fila que se estendia por todo o corredor externo da unidade de saúde, a costureira Sônia Monteiro nem conseguia prever que horas conseguiria deixar o local. Tendo saído debaixo da chuva que tomou conta de Belém durante a manhã, ela temia voltar para casa sem ser imunizada. “Eles ficam reclamando que a gente não vem tomar a vacina e, quando a gente chega aqui, é essa a situação. Não tem previsão de quando vão começar a vacinar”, considerava, calculando que já estava no local há pelo menos 30 minutos. “Não tem ninguém para aplicar a vacina. Como eles mandam a gente tomar a vacina se a gente chega aqui e não tem ninguém para aplicar?”.
DEMORA
Acompanhando a mãe Irene Floriano, de 84 anos, a atendente Dionéia Maria ainda se preocupava se conseguiria voltar a tempo para o trabalho. “Eu saí do trabalho pra trazer a minha mãe pra vacinar e não tem ninguém pra dar a vacina”, também informava. “A minha mãe tem 84 anos, tem artrose, saiu nesse tempo frio pra vacinar e tá ali sentada sem saber se vai conseguir”.
Com previsão de encerramento em todo o Brasil já no próximo dia 22, a campanha tem como meta vacinar 1,4 milhão de pessoas que fazem parte do grupo prioritário para a imunização, porém, até a tarde de ontem o Pará só havia conseguido vacinar pouco mais de 497 mil pessoas. Em todo o Estado apenas dois municípios já conseguiram atingir a meta. “Água Azul do Norte e Concórdia do Pará já conseguiram atingir as suas metas epidemiológicas até agora, então os demais municípios têm que trabalhar para atingir a meta”, ressalta a coordenadora de imunização da Sespa, Jaíra Ataíde.
“Essa meta significa que a influenza só estará sob controle no Pará quando se atingir no mínimo 80% de cada grupo prioritário, ainda assim distribuímos vacinas para vacinar 100% do público-alvo. Conclamamos a família paraense a procurar o posto de saúde mais próximo”.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública informou que, apesar da reclamação da população, “não procede a informação sobre falta de pessoas para a aplicação da vacina contra a gripe” e que “o serviço está funcionando normalmente, inclusive com atendimento exclusivo aos os idosos, que estão sendo vacinados em sala separada em virtude da grande procura”. A nota diz, ainda, que a “UBS da Pedreira tem recebido pacientes de todos os bairros - inclusive os vizinhos, fazendo com que a demanda diária por atendimento seja superior a sua capacidade instalada”.
(Diário do Pará)
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