Moradores das passagens Hortinha e Trindade, no bairro do Marco, se sentem prejudicados com a demora na execução de projetos de macrodrenagem naquela área. Eles sofrem com os transtornos gerados pelos alagamentos frequentes nas áreas próximas aos canais.
Ontem, muitos moradores que tiveram parte de suas casas invadidas pela forte chuva que caiu na noite de segunda-feira e madrugada de ontem tiveram que escoar a água com bombas elétricas e ainda contavam com a sorte para não perderem eletrodomésticos.
A idosa Maria do Carmo, de 71 anos, que mora na Hortinha, disse que pensou em chamar o Corpo de Bombeiros com receio de que a água entrasse em casa. “Agora, a gente retira a água com a ajuda de uma bomba, gasta luz fazendo esse processo e água depois para limpar a sujeira que ficou no quintal.”
O sobrinho da aposentada, Danilo Costa, contou que a família já teve muitas perdas materiais por causa dos alagamentos. “Já perdemos geladeira, fogão e guarda-roupas. E, no inverno do ano retrasado, a água entrou no motor de uma moto que eu tinha e não teve mais jeito de reutilizá-la. Todas as melhorias que foram feitas na rua contaram com a coleta em dinheiro das pessoas que moram aqui”.
As casas na passagem Hortinha possuem uma característica comum: a maioria tem um batente para impedir a invasão da água. Na casa da doméstica Ilza Siqueira, 58, esse recurso utilizado é bem visível porque as portas e janelas estão abaixo do padrão das outras casas. Isso ocorreu mesmo depois de a moradora ter levantado a casa pelo menos cinco vezes para evitar os alagamentos.
“Foram anos da minha vida perdendo coisas, como geladeira e guarda-roupas. O forro já estava pronto para ser colocado, mas, como aterrei várias vezes, perdi materiais e não modifiquei a fachada”.
PREJUÍZOS
A costureira Lucilene Lopes, 41 anos, contou que já perdeu as contas de quantas vezes levantou a casa para fugir dos alagamentos. “Aqui a nossa casa era bem alta, nem sei em quantos metros ela foi levantada. Agora, quase nivelada com a rua, as calçadas de casa estão com rachaduras devido ao excesso de umidade”.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) afirmou que atua com 2.100 homens nos serviços de limpeza, dragagem e recolhimento de lixo e entulho dos canais.
A Sesan disse que fenômenos naturais como a chuva e a maré alta são determinantes para a ocorrência dos alagamentos na área. “A dificuldade de escoamento da água se deu pela ocorrência do fenômeno da maré alta no mesmo horário da chuva intensa. De acordo com o Centro de Hidrografia da Marinha, a maré atingiu 3.4 metros à 0h08 desta terça-feira, 19. As equipes da prefeitura de combate a cheias estão atuando em estado de atenção, já que a maré volta a subir a cada 12 horas”, informou a nota.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar