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Focos da dengue no Pará são 90% fora de casa

Entulhos, restos de materiais de construção, embalagens plásticas e estruturas inacabadas favorecem a reprodução do mosquito da dengue nos canteiros de obras. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sespa), 90% dos casos de dengue têm os focos fora das

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Entulhos, restos de materiais de construção, embalagens plásticas e estruturas inacabadas favorecem a reprodução do mosquito da dengue nos canteiros de obras.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sespa), 90% dos casos de dengue têm os focos fora das casas. Desse índice, de 40% a 50% tem origem em construções. Os ambientes escuros e com acúmulo de água facilitam a proliferação do Aedes aegypti.

“Belém está indo para cima. Prédio junto de outro. Aquele que já tem moradia e aquele que está construindo, aparece um do lado do outro. A dengue não é caso só de periferia e saneamento. Têm que ser chamadas as atenções das construtoras. Há água empossada em cada um dos andares. É risco para os trabalhadores, para o vizinho. Não tem ninguém à noite para eles picarem, então voam nos prédios ao lado”, diz o diretor do departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso.

“Isso se trata com cal virgem e cloro. Numa proporção de cada oito partes de cal para duas quantidades de cloro devem ser passadas. Os moradores precisam colocar tela nas janelas. Esse seria o ideal. É também preciso chegar à construtora e dizer a situação, chamar as prefeituras responsáveis. Muitos não sabem disso”, enfatiza.

Nos meses de junho e julho, quando as chuvas tendem a diminuir na região, a proliferação do mosquito diminui. Porém, os ovos depositados em lugares acumulados de água podem levar até 18 meses para eclodirem. Ou seja, independente do clima e da temperatura, em qualquer período do ano há riscos de ser picado pelo mosquito.

“Belém é o local em que todo tempo chove. Tem mês que chove muito e outros, bem pouco. Depois que o ovo é colocado na água, pode eclodir até um ano e meio depois. O mosquito é inteligente, coloca os ovos de um a dois centímetros da linha da água. Quando o vapor da água vem, bate nos ovos e faz com que eclodam e na água fica a larva”, detalha o especialista.

OVOS

Os ovos do mosquito levam de 7 a 10 dias para eclodir, depois viram larva e, em 3 a 4 dias, se tornam o mosquito. As fêmeas depositam cerca de 120 ovos a cada oito dias. Os ambientes com pouca iluminação e de difícil acessos são os preferidos.

“Todo lugar que acumula água pode ter o mosquito”, afirma. “Eles preferem partes escuras, que têm mais calor, fica mais difícil de quem vai limpar enxergar os ovos. É preciso também que se invista em saneamento adequado”, reforça.

Segundo a Sespa, de janeiro a 4 de maio, foram confirmados 1.319 casos da doença no Pará. Se comparados ao mesmo período do ano passado, os números apontam redução, quando foram registradas 1.880 ocorrências. Entretanto, para o diretor de Controle de Endemias, os dados ainda são preocupantes, devido aos focos de lixo pela cidade.

Os municípios com maior incidência de casos são Belém (385), Altamira (151), Senador José Porfírio (117), Parauapebas (84), Marabá (46) e Ananindeua (29). Duas mortes por dengue foram confirmadas, de uma criança e uma idosa, ambas em Belém.

(Diário do Pará)

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