É comum ver diariamente pessoas buscando a sombra dos postes para se proteger do sol, já que muitos pontos de ônibus em Belém, não possuem abrigo com cobertura. Em contrapartida, os abrigos existentes já velhos, enferrujados, sem bancos e pichados. Muitas vezes, uma parada coberta também identifica que ali há um ponto, mas em diversos lugares da cidade, esses pontos não são sinalizados com placas.
Ao longo da rua Domingos Marreiros, que vai da avenida Visconde de Souza Franco à José Bonifácio, não há qualquer abrigo ou sinalização indicando que a cada esquina há uma parada de ônibus. Já ao longo da avenida João Paulo II, poucas são as paradas cobertas - nossa equipe de reportagem observou cerca de três nos dois sentidos da via, e a maioria encontra-se na mesma situação, sem abrigo e sem identificação.
No trecho entre a travessa Mauriti e Barão do Triunfo, no Marco, algumas pessoas disputavam a fina sombra de um poste de energia. “Faz uns 40 minutos que estou aqui esperando, é chato, é cansativo e estressante ficar se escondendo do sol atrás dessa sombra. Seria bem mais confortável ter uma parada com cobertura, até porque quando chove, tudo piora, pois não tem onde se esconder aqui”, disse Márcia Gizela, vendedora e moradora do bairro.
Na Augusto Montenegro, bairro da Marambaia, a situação era quase a mesma. A diferença é que há uma placa informando quais linhas fazem a parada no local, no entanto, não há cobertura, apenas no próximo ponto. “Seria bom se tivesse a cobertura aqui, tem espaço e não ia atrapalhar quem anda pela calçada. Aí a gente fica aqui sofrendo no sol, se apoiando na parede enquanto aguarda”, disse a dona de casa Elisangela Siqueira.
DEFASAGEM
Se de um lado não há paradas cobertas, por outro, as que ainda existem sofrem com a falta de manutenção. Na travessa Mauriti com rua Nova, no bairro da Pedreira, por exemplo, a parada já tem aproximadamente 15 anos e não tem mais banco para sentar, além de estar completamente enferrujada.
Segundo Stefany Figueiredo, que mora na casa em frente à parada, o local virou banheiro para mendigos. “O pessoal até pintou ela esses tempos porcima da ferrugem, já improvisaram um banco, mas já quebrou. Essa parada não tem onde sentar, aí virou banheiro para morador de rua que urina e deixa a frente de casa com cheiro horrível. Eu preferia que tirassem ela daqui, mas gosto de descer na frente de casa, é mais seguro”, disse.
Já na rua Dom Pedro I com Bernal do Couto, bairro do Umarizal, próximo de um grande supermercado, Hospital Santa Casa e Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará, a cobertura da parada também está em situação deplorável. Parte já foi corroída pela ferrugem e o ferro que segura o banco de madeira pode causar acidentes, como já aconteceu com a estudante Antonieta Sena. “Uma vez eu estava de short e resolvi sentar, eu me ajeitei para ir mais pra trás e o ferro, que tem na borda do banco, me feriu porque estava todo corroído. Fui na hora tomar vacina anti-tetânica”, relatou.
O OUTRO LADO
A Prefeitura Municipal de Belém (PMB) informa que nem todas as paradas de ônibus possuem abrigo porque a implantação do mesmo depende de uma série de requisitos como: largura suficiente da calçada para ajustar abrigo e ainda dar espaço para o pedestre, entre outros.
Toda parada, de qualquer maneira, tenha abrigo ou não, recebe sinalização horizontal e vertical. A manutenção dessa sinalização é constante, porque sempre há danos às placas ou desgaste de tinta. Sobre a implantação de novos abrigos, a PMB esclarece que em 2014 abriu dois editais para manutenção e construção de novos abrigos, mas não houve vencedores. Uma nova tentativa de edital está sendo planejada para ainda este ano.
(Diário do Pará)
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