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Luto e clamor por segurança marcam missa

Com o coração partido, o apelo da mãe que perdeu o filho de forma brutal é o mesmo que ecoa em quem vem acompanhando a sucessão de casos de latrocínio que tomaram conta de Belém desde o último dia 23.   Passados sete dias, é difícil dimensionar o tamanho

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Com o coração partido, o apelo da mãe que perdeu o filho de forma brutal é o mesmo que ecoa em quem vem acompanhando a sucessão de casos de latrocínio que tomaram conta de Belém desde o último dia 23.

Passados sete dias, é difícil dimensionar o tamanho da dor de quem teve que se despedir do filho morto durante um assalto a um ônibus de excursão. “Eu pedi tanto a Deus que ele fosse a última vítima de toda essa violência, de toda essa falta de amor. Eu só queria muito que ele fosse a última pessoa a morrer desse jeito”, disse a mãe do rapaz, Lúcia Costa.

Morto durante a madrugada do último sábado enquanto se preparava para viajar para o município de Magalhães Barata, o jovem universitário Lucas Silva da Costa, 19 anos, foi baleado com um tiro na região da cabeça depois que homens armados invadiram o ônibus em que ele estava junto com outros estudantes.

Ele viajaria para prestar ações de saúde e atendimento social aos moradores de uma comunidade do interior do Estado. O assassinato de Lucas desencadeou grande comoção em grande parte dos moradores da capital paraense. “Eu estou partida, não sei onde vou encontrar forças para continuar”, emocionou-se Lúcia Costa, durante a missa de sétimo dia realizada na manhã de ontem. “Eu agradeço a todos por esse carinho, que é o que está nos sustentando”.

A missa se sétimo dia de Lucas Silva da Costa foi realizada na manhã de ontem, no auditório da universidade em que ele fazia o curso de fisioterapia. Celebrada pelo bispo auxiliar Dom Teodoro, a missa ficou lotada de familiares e amigos, que prestaram homenagens ao jovem.

A família de Lucas ainda está sem obter as respostas esperadas para explicar o que realmente aconteceu durante o episódio. “Até agora eu ainda não acredito. Parece que ele viajou e vai voltar daqui a pouco. Eu ainda não consegui ir trabalhar, a minha mãe fica assustada quando a gente sai de casa, não consegue dormir direito...”, conta um dos irmãos de Lucas, Leonardo Silva Bastos.

“A gente tá tendo contato com a polícia na medida do possível, mas eles não podem passar muitas informações para não atrapalhar as investigações. A gente não vai descansar enquanto não souber exatamente o que aconteceu, isso é o mínimo que podemos ter”, afirma.

Abalados não apenas com a perda do ente querido, a família ainda tenta se recuperar da sensação de insegurança provocada pelas mortes que sucederam a do universitário ao longo da semana. No mesmo dia da morte de Lucas, a pequena Ana Karoline Siqueira, de 8 anos, também foi morta com um tiro quando homens armados invadiram uma festa de aniversário infantil no município de Ananindeua.

Dois dias depois, o também universitário Lucas Batulevicius Pereira Menezes, 23 anos, foi morto a tiros enquanto trafegava em seu carro por um trecho da avenida Centenário. No dia seguinte, o eletricista Luan Barros dos Santos, 25 anos, também foi assassinado a caminho do trabalho durante um assalto a um ônibus da linha Tapanã 2/Ver-o-Peso. “A minha mãe foi no velório do outro Lucas (Lucas Batulevicius) prestar solidariedade e foi muito importante levar e receber essa palavra de conforto”, considerou Leonardo, irmão do universitário morto no ônibus. “É muito difícil, porque não sabemos ao certo como tudo aconteceu. Se a gente tá no carro e buzinam, já ficamos com medo. Se a gente tá na rua e duas pessoas se aproximam, a gente já fica preocupado... a gente está assustado”.

Amiga de Lucas Silva da Costa há aproximadamente cinco anos, a universitária Rafaela Amoras também convive com o medo constante desde os momentos vivenciados dentro do ônibus que os levariam para o interior do Estado. Presente no momento do assalto e do baleamento de Lucas, a experiência vivenciada não consegue sair da sua memória. “Fica na cabeça a imagem, a cena dele naquela situação”, rememora, ainda abalada. “Eu não saio mais. A minha mãe fica desesperada, eu não consigo mais dormir... qualquer coisa que acontece a gente já fica com muito medo”.

CAMINHADA

Para cobrar celeridade na punição dos culpados e a busca de soluções para a violência, uma caminhada está sendo organizada pelas famílias e pela ONG Movimento pela Vida (Movida), com saída marcada para as 8h de amanhã.

Empenhada em atuar na busca pela punição dos responsáveis por atos de violência como os vistos na última semana em Belém, a fundadora e presidente da ONG, Iranildes Russo, acredita que a sociedade hoje está mais disposta a se mobilizar pela promoção da paz. “Percebemos uma movimentação diferente. Depois desses casos, a gente tá vendo que a população está realmente preocupada”, acredita. “Há 10 anos eu atuo com isso e eu nunca tinha percebido essa mobilização antes”.

Para a mulher que também é mãe de uma vítima da violência, Iranildes acredita que esse é o momento de a sociedade se unir em busca de justiça e paz. “Eu espero realmente que a sociedade acorde para essa situação da segurança pública. Esse momento é único. A gente acha que já está no caos, mas ainda pode piorar. Se não fizerem nada nesse momento com tantas mortes acontecendo perto uma da outra, a situação vai ficar insustentável”, acredita. “Esse ato público tem que ser não apenas mais um ato, tem que ser um ato com encaminhamento de cobrança para quem tem o poder de fazer alguma coisa”.

Familiares e amigos de Ana Karoline também farão uma caminhada para pedir paz e segurança. O ato estava previsto para ocorrer ontem, mas foi adiado para a manhã de hoje por problemas de logística.

(Diário do Pará)

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