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Volta às aulas foi com incertezas

Após 73 dias parados, por conta da greve dos professores da rede Estadual de Ensino, cerca de 700 mil alunos retornaram às salas de aulas ontem. Na manhã desta segunda-feira, a movimentação nas portas dos colégios ainda era tranquila. Mesmo animados com o

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Após 73 dias parados, por conta da greve dos professores da rede Estadual de Ensino, cerca de 700 mil alunos retornaram às salas de aulas ontem. Na manhã desta segunda-feira, a movimentação nas portas dos colégios ainda era tranquila. Mesmo animados com o retorno, a maior preocupação dos estudantes é quanto à reposição do conteúdo programático do ano letivo.

Na Escola Estadual Souza Franco, na avenida Almirante Barroso, os portões de entrada fecharam às 7h40. O estudante Alberto Mota, que cursa o 2º ano do Ensino Médio, se sente aliviado com a retomada do ano letivo. “Eu já estava incomodado de ficar em casa. Nosso tempo agora é pra estudar e tentar, pelo menos, aprender alguma coisa”, enfatizou.

O retorno às aulas também foi comemorado pelos estudantes da Escola Estadual Marechal Cordeiro de Farias, no bairro do Marco. Esperando o segundo horário, o aluno Léo Patrick, de16 anos, que cursa a 8° série, conta como está sendo a volta às salas de aula. “Graça a Deus voltamos a estudar. Passamos dois meses em casa, agora vamos ter que estudar muito para recuperar os dias que perdemos. Acho que este ano, férias não vai ter. Um professor no primeiro horário já falou que elas estão dependendo de um acordo com a Seduc, para repor os dias parados”, afirmou. “Os nossos professores estavam com a razão de lutar pelos salários, e principalmente pelas reformas de nossas escolas. Mas, a verdade é que temos muito a recuperar. Não podemos concorrer com os alunos de escola particular, pois estão mais adiantados que a gente. Assim, nem queremos férias, só aula, pois tem o Prise”, disse a aluna Rafaela Gonçalves, de 17 anos, também da Cordeiro de Farias.

O retorno às aulas na Escola Estadual Pedro Amazonas Pedroso, também foi normal. Na manhã de ontem, os alunos estavam otimistas com a retomada. “Antes tarde do que nunca. Agora é correr atrás do prejuízo. Prestar atenção nas aulas e pedir a Deus que o governador entre em acordo com os professores. O Enem - (Exame Nacional do Ensino Médio) está chegado e, até hoje, não vimos nem a metade de conteúdo. Estamos atrás dos concorrentes”, lamentou.

SINTEPP

De acordo com a coordenação do Sindicado dos Trabalhadores em Educação do Pará (Sintepp), a greve foi suspensa, mas a mobilização continua, desta vez, buscando novas ferramenta de luta. A partir do retorno, a prioridade do sindicato será a organização por local de trabalho, com a escolha dos representantes por escolas, para manter o mesmo nível de denúncia da precariedade do ensino da comunidade escolar. “Vamos continuar as nossas reivindicações. Solicitamos uma conversa com o governo do Estado para quarta-feira (10). Acionamos o Ministério Público Federal para acompanhar o calendário de reforma das nossas escolas que estão precárias. Em relação à reposição, o governo descontou da categoria os dias parados, e não haverá uma reposição efetiva, pois o governo reduziu cerca de um mês o calendário, sem comunicar a ninguém”, destacou Alberto Andrade, secretário geral do Sintepp.

Até o fechamento desta reportagem, a Seduc não se manifestou sobre o retorno dos professores.

(Diário do Pará)

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