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Desconhecidos unidos pela força da solidariedade

Em meio a tantas tragédias nas nossas rodovias, com demonstrações de irresponsabilidade, ódio e desamor, algumas histórias se perdem e ficam no anonimato. Nem todas... Da experiência do grave acidente no último dia 24 de maio, o empresário Nélio Lourenç

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Em meio a tantas tragédias nas nossas rodovias, com demonstrações de irresponsabilidade, ódio e desamor, algumas histórias se perdem e ficam no anonimato.

Nem todas...

Da experiência do grave acidente no último dia 24 de maio, o empresário Nélio Lourenço, 42 anos, de Capanema, região Nordeste do Estado, traz as lembranças fortes e emocionantes, que geraram uma reflexão sobre toda a sua vida. Vida que ele quase perdeu, como tantas outras vítimas fatais, mortas em acidentes em nossas rodovias.

Acompanhado da esposa, Vânia Lourenço, de 36 anos, Nélio retornava pilotando uma moto de Salinópolis, no domingo, pela PA-124, no sentido Salinas-Belém. Por volta das 17h30, após passar em uma lombada, quando ainda retomava a velocidade, foi surpreendido por um veículo, a mais de 100 km por hora - que seguia no mesmo sentido que ele. O resultado: o casal foi arremessado para um lado da pista e a moto, destruída, para o outro.

O condutor do veículo seguiu viagem, sem prestar qualquer socorro...

Alguns minutos depois, o motorista André Martins, 44 anos, que também seguia pela PA no sentido Salinas-Belém, reconhecera o casal jogado no acostamento... Era o mesmo casal que, há poucos minutos, havia passado por André. "Quando eles passaram por mim na moto, eu teci o comentário sobre ela, que era bonita e grande. Eles passaram tranquilos, abraçadinhos, não estavam em alta velocidade e usavam capacetes. Me chamou a atenção por se tratar de uma moto grande".

André já havia presenciado acidentes com veículos; mas envolvendo motocicletas, nunca. "Parei na hora. E a cena era difícil. Eles estavam jogados no acostamento, meio desacordados. Como de praxe, já havia algumas pessoas - curiosas, se aglomerando em volta deles". O motorista é especializado em produtos perigosos e tem o curso de primeiros socorros. Por dirigir motos, sabe que geralmente em acidentes em rodovias, envolvendo altas velocidades, as chances de sequelas e mortes são maiores.

Com os conhecimentos em primeiros socorros, André ajudou como pode o casal: verificou se tinham fraturas expostas, perguntou se estavam sentindo tontura. "Já haviam retirado o capacete dela, o que é errado. A sorte é que estavam com capacete, bons capacetes, e com todos os outros itens de segurança. O Nélio falava coisa com coisa. Orientei para que não dormissem, e aos curiosos, que não dessem água pra eles. Consegui uma toalha para colocar embaixo da cabela dela, que naquele momento estava cheia de piçarra".

Nélio ficou muito atordoado por conta do baque. "Apesar de estar com o capacete, ainda fiquei com o ferimento grande. Minha costa ficou arranhada". Vânia apenas machucou o pé. A moto teve perda total.

André acionou uma viatura da Polícia Militar que ajudou a socorrer as vítimas e levá-los um hospital. E só depois de vê-los sendo conduzidos por uma ambulância para um atendimento especializado, seguiu sua viagem para Belém, uma hora após a tragédia. Já era noite!

Do condutor que seguiu viagem, sem prestar ajuda alguma, Nélio comenta suspeitar "que ele estava embriagado, não parou com medo de ser linchado, ou ficou com medo de ter ocorrido algo mais grave e ter que assumir. Não temos sentimentos de raiva, mas fica uma situação chata, a do descaso com a vida".

Hoje, Nélio e André, unidos em uma tragédia, pela ação da solidariedade e humanidade, mantêm uma relação de respeito e amizade.

(Arquivo Pessoal)

"Valorizamos mais a vida e quem está próximo da gente, inclusive os desconhecidos. Ainda há um grande descaso pelo próximo, precisamos reverter isso".

Nélio Lourenço

André, na companhia da esposa, Josiana (Arquivo Pessoal)

"Se não ajudarmos o próximo em situações assim, é porque perdemos a nossa humanidade"

André Martins

* Essa é a história de emocionar do Nélio e do André. Conte a sua pra gente: redacao@diarioonline.com.br.

(Bernadeth Lameira, DOL)

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