"Acham que caímos de paraquedas na universidade!". A afirmação é de Márcia Pinheiro, 22 anos, estudante do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA), moradora da comunidade de Itacuruçá Alto, em Abaetetuba, região Nordeste do Estado. A fala demonstra o quanto a conquista de uma vaga no ensino superior por um remanescente de quilombola é algo complexo e considerado distante, devido a muitas dificuldades.
Tais empecilhos partem desde as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que não possui nenhum ponto específico para a educação quilombola. Segundo o Ministério da Educação (MEC), no entanto, as metas são bastante abrangentes: contemplam crianças, jovens e adultos de todas as raças e etnias sejam elas de comunidades tradicionais ou não, independentemente do Estado.
Deste modo, com 227 comunidades espalhadas em mais de 40 municípios paraenses, esta camada da população, ainda que tenha papel fundamental para a formação sociocultural do país, permanece à margem da sociedade e sem condições adequadas de educação, saneamento, saúde e segurança.
Algumas ações vêm contribuindo para de algum modo facilitar a entrada dos remanescentes em instituições de ensino superior, como a existência, desde 2013, do Processo Seletivo Especial (PSE), promovido pela Universidade Federal do Pará UFPA e pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O vestibular é voltado para as comunidades quilombolas, indígenas e moradores do campo.
Neste caleidoscópio de dificuldades, mas também possibilidades, surgem então novas lutas que envolvem os quilombolas na busca pelo acesso e pela permanência no Ensino Superior. Diversas trajetórias, dificuldades, processos seletivos ajudam a compor um quadro de possíveis modificações na educação no estado e mesmo no país.
ESPECIAL
O DOL lança nesta terça-feira (09) o especial "Novas Lutas: os desafios de quilombolas no Ensino Superior", com reportagens especiais, vídeos, imagens, infográficos com dados e detalhes sobre os quilombolas no país, referências nacionais, como o processo seletivo especial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de pesquisadores e representantes do processo seletivo especial da UFPA e do Ministério da Educação (MEC).
Merece destaque também as seis mulheres de origem quilombola que frequentam ou já fizeram algum curso de graduação e mesmo póse-graduação, de diversos quilombos, seja na Região Metropolitana de Belém, região nordeste até a sudeste do estado.
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