Mais uma vez, os problemas na Educação e na Segurança Pública foram a pauta do dia na Assembleia Legislativa nesta terça-feira, 9.
A bancada de oposição ao Poder Executivo lançou críticas severas ao Governo Simão Jatene em relação à ausência de explicações sobre o aumento da criminalidade no Estado, bem como sobre o sucateamento da rede pública de ensino.
Abrindo os trabalhos do dia, Iran Lima, líder do PMDB, fez um lamento em seu discurso sobre a situação dos estudantes do Ensino Médio em Moju, município que tem como base eleitoral.
“Sabe o que ouvi de um morador de uma comunidade que visitei quando perguntei como está o Ensino Médio por lá? ‘Não está’. Ou seja, não precisava nem ter greve para ter problema, já que o que acontece é que o Governo do Estado não tem compromisso com a Educação. Em Concórdia do Pará é a mesma coisa”, disparou.
“Aí chega o final de semana e somos surpreendidos por veículos da imprensa reproduzindo texto do Facebook do governador no jornal dizendo que não podemos negar que está ruim, mas que houve avanço. Avançou, sim, mas foi a criminalidade no Estado que avançou, avançou tudo que é ruim na Segurança Pública e o governador não tem a humildade de pedir apoio da Força Nacional, do Governo Federal. Não são 100, 200 homens, é a inteligência. Parece que o Governo tem pacto com a bandidagem. Quero ver se tem coragem de ir a palanque, de ir às ruas, anunciar que a segurança está boa, em vez de se esconder atrás de jornal e Facebook”, cutucou. “Estamos no 17º ano de mandato do PSDB no Estado e as coisas só pioram. Não é um fim de semana, um, dois dias. São quase duas décadas. Entristece governador publicar na imprensa e não dizer nada sobre o que está fazendo para conter a violência. Ou para dizer que melhorias haverá nas escolas depois de 70 dias de greve”, cobrou.
Lélio Costa, do PC do B, lembrou que os alunos da rede pública estadual estão seguindo para as provas de vestibular e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em desvantagem se comparado aos demais alunos, já que estão com mais de dois meses de conteúdo atrasado.
“Sistema de Educação do Estado deu a prova cabal de que está muito fragilizado durante a paralisação. Governo mostrou arrogância e intransigência quando jogou o povo contra educadores usando a mídia”, reforçou.
O deputado aproveitou pra reforçar que haverá uma audiência sobre Segurança Pública amanhã, dia 11, a partir das 14h.
“Será uma afronta ao parlamento se secretário de Segurança não vier. Precisamos ter a clareza de que precisa cessar violência. Ter respostas efetivas. É tema complexo e não resolve sozinho ou só com mais presídios ou repressão, se é que há repressão”, destacou.
Cumprindo o papel de base aliada, o líder do Governo, Eliel Faustino, do SDD, e Sidney Rosa, do PSB, desfizeram da necessidade de ter a Força Nacional presente no Estado.
“Não é verdade que o governador não quer, e inclusive já há a presença da Força Nacional em Altamira, por causa de Belo Monte, e haveremos de concordar que não resolve”, discursou.
“Segurança nacional é ficção: os estados cedem 30 e poucos policiais, pagos pelos próprios estados, para fazer uma força que não sei porque não se utiliza. Se fosse solução, estaria em São Paulo ou no Rio de Janeiro”.
Carlos Bordalo, do PT, lembrou que o final de semana retrasado terminou com 23 assassinatos. “Se isso não é grave, não sei mais o que é. Chega de discutir Geografia, é preciso ter atitude”, ensejou.
O parlamentar João Chamon, do PMDB, aproveitou a temática e fez um apelo às autoridades para que a Delegacia da Mulher de Marabá não fique fechada aos finais de semanas e feriados, impedindo o registro de ocorrências de violência doméstica que possam ocorrer. Pelo PROS, o deputado Tércio Nogueira, que é soldado da Polícia Militar, lembrou que a corporação precisa de melhor remuneração e respeito para servir melhor.
“É necessário um novo modelo de estruturação, novos pensamentos e modernidade. Tratar servidor com mais respeito. A partir do momento em que investir e respeitar os agentes aí, sim. Não se melhora a Segurança Pública somente com PM, mas sem ela, não dá para equilibrar a guerra que se vive hoje nas ruas”, ponderou.
(Diário do Pará)
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