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Jatene viaja em jatinho com dinheiro público

Acomodações de luxo, com direito a mordomias diversas, como garçom para atender e oferecer aos convidados as finas iguarias do serviço de buffet. Canapés, pratos quentes e frios, sofisticada carta de vinhos. Não, a cena descrita não se passou em salão de

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Acomodações de luxo, com direito a mordomias diversas, como garçom para atender e oferecer aos convidados as finas iguarias do serviço de buffet. Canapés, pratos quentes e frios, sofisticada carta de vinhos. Não, a cena descrita não se passou em salão de restaurante de luxo. Foi acompanhada de perto por um observador privilegiado no voo que o governador Simão Jatene fez a Brasília a bordo do jatinho da ORM Air, pago regiamente com dinheiro público.

Em meio a um dos períodos mais dramáticos da história do Pará, com descalabros na gestão de saúde, deficiências graves na condução do ensino público estadual e, acima de tudo, total desamparo da sociedade diante da ausência de uma política eficaz de segurança pública, o governador teve a coragem de usufruir de luxo que pouquíssimos cidadãos no Pará podem ter.

Quem se desse ao trabalho de puxar o histórico do avião teria um espanto ao observar que se trata da mesma aeronave que levou o empresário Romulo Maiorana Jr., diretor-presidente do grupo ORM, a responder na Justiça Federal por crime tributário por coagir servidora da Receita Federal que descobriu fraude ao fisco na compra milionária do referido avião nos Estados Unidos.

Juntamente com a consultora Margareth Muller, Rominho Maiorana foi investigado pela Receita Federal e denunciado pelo MPF por registro da compra do jato como apenas um arrendamento – aluguel sem a transferência de propriedade – com a intenção de sonegar imposto.

Rejeitada pelo juiz Antônio Carlos de Almeida Campelo, a denúncia criminal contra Rominho foi feita em 2013 pelo Ministério Público Federal (MPF). Agora a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, acatou recurso do MPF contra a decisão do juiz e, de forma unânime, mandou dar prosseguimento ao processo criminal contra Romulo Jr. e Margareth Muller, acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional e pela sonegação de pelo menos R$ 683 mil em impostos em valores da época e que hoje ultrapassam R$ 1 milhão.

O Liberal foi usado para chantagens.

(Diário do Pará)

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