Diferente de muitas capitais do Norte e Nordeste - como Palmas (TO), Manaus (AM) e Fortaleza (CE) - onde a climatização de boa parte da frota de ônibus já é uma realidade, os usuários do transporte público de Belém ainda terão que esperar para usufruir mais conforto dentro dos coletivos.
Segundo a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), por meio de nota, “não está previsto, na nova tarifa, investimento em climatização, o que tornaria a tarifa ainda mais onerosa”.
Ainda de acordo com a Semob, o novo aumento na passagem de ônibus - que elevou o custo para R$ 2,70 - "levou em cálculo o aumento de insumos, como combustível, a renovação da frota, com aquisição de veículos novos, e o aumento salarial dos rodoviários, entre outros custos".
A informação contrasta com a opinião dos internautas do DOL: quase 50% dos 4.317 internautas afirmaram que “viajar com uma temperatura mais amena nos coletivos” seria a melhoria mais urgente no transporte público de Belém, segundo enquete realizada no portal, realizada após o último aumento no valor da tarifa de ônibus.
MAIS QUALIDADE, MAIS USUÁRIOS
A climatização, e o consequente aumento no conforto dentro dos coletivos, seria um fator para atrair mais usuários para utilizar os ônibus de Belém.
“Um dos grandes desafios é como atrair mais pessoas para o transporte público. Para isso, precisamos ter um sistema de qualidade, um sistema competitivo. Isso reduziria uma série de problemas que enfrentamos no meio urbano”, afirma Patrícia Bittencourt, professora de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará (UFPA), com ênfase em Planejamento de Transportes.
A especialista explica, no entanto, que qualquer melhoria do tipo acarretaria em mais aumentos na passagem dos ônibus, já que o transporte público em Belém não é subsidiado pelo poder público.
“Sem subsídio, fica difícil implementar essa tarifa. Para o trabalhador formal, que utiliza o vale-transporte, pode ser mais fácil, mas temos, em Belém, um grande número de trabalhadores informais, que podem não ter condições de custear um novo aumento”, opina Patrícia.
Uma das possíveis soluções para a questão, segundo a estudiosa, seria criar mais linhas seletivas, como a Belém-Icoaraci (criada recentemente) e a do microônibus Castanheira-Pátio Belém (existente há mais de 15 anos), com tarifas diferenciadas.
FALTA DE INTEGRAÇÃO
Além da dificuldade em implementar as melhorias de climatização, a pesquisadora analisa que um dos grandes problemas do transporte público da Região Metropolitana de Belém é a má distribuição das linhas de ônibus.
“Fora dos horários de pico, podemos ver ônibus circulando vazios, em alguns bairros de Belém, e pensar que a frota é suficiente. No entanto, se você for a outros pontos como, Aurá e Águas Lindas, vemos ônibus lotados, com usuários que não conseguem ir para o trabalho. Isso é má distribuição do sistema”, explica a estudiosa.
Essa falha na distribuição também acarreta a superposição de linhas de ônibus em algumas avenidas, como Governador José Malcher, o que leva a problemas nas paradas e engarrafamentos no trânsito.
(DOL)
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