Pela primeira vez, o secretário de Segurança Pública do Estado, general Jeannot Jansen, compareceu a uma audiência pública para tentar justificar a escalada da violência no Estado. Foi durante a sessão especial proposta pelos deputados estaduais Carlos Bordalo (PT), Iran Lima (PMDB) e Lélio Costa (PCdoB), que reuniu representantes de diversos órgãos que compõem o sistema de segurança pública, na tarde de ontem, na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) para discutir sobre as ações de combate à criminalidade que tem crescido expressivamente no estado.
Mesmo assim, o secretário acabou recorrendo aos mesmos discursos vazios do governador Simão Jatene de que a “sensação de insegurança” é vivida não só no Estado, como também mundialmente, e não se trata de uma situação recente. “Para darmos um passo à frente temos que entender a situação, conhecer que inimigo é esse, o que nós temos que combater e quem vai fazer, de que forma. O Estado está fazendo a sua parte. A origem da violência é estrutural, que assola toda a sociedade brasileira e paraense”, justificou.
Ao tentar citar outras razões para o problema da segurança pública, Jeannot acabou “culpando” o próprio governo. “A razão é essencialmente social. Estamos falando da educação, seja a caseira, familiar, de cultura, de questão religiosa e todas as razões sociais, particularmente, a econômica, a desigualdade social”, afirmou o secretário.
Sem dados concretos para apresentar, o general Jansen disse que é preciso incluir o município no combate à criminalidade. “É dever do Estado e é direito e responsabilidade de todos a segurança pública, é o que diz a constituição. É da União e dos estados a responsabilidade, fundamentalmente do Estado. Todo plano, toda solução, em medidas de curto, médio e longo prazo, como solução definitiva, inclui o município para o combate ao crime. Estamos falando de polícia comunitária, do policiamento na rua, do conhecimento do bairro, do conhecimento das pessoas”, disse.
Para o deputado Iran Lima, líder do PMDB na casa, ficou claro que não há um plano integrado de segurança pública no Pará entre os órgãos de segurança envolvidos. “Não está sendo posto em prática nada a curto, médio e longo prazo. Quando a gente convida a equipe do Estado para se fazer presente, nós gostaríamos que apresentassem um plano estadual que integrassem todos os órgãos. São ações isoladas que, para nós, demonstram fragilidade e a falta de planejamento da segurança pública do nosso estado. E isso nós encaramos como uma falência desse sistema”, garante.
Já o deputado Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa, disse que está em curso uma operação “abafa”. “O que nos preocupa é um plano mais longo, efetivo e estratégico de segurança que não ficou claro na exposição do secretário. Vamos continuar acompanhando, vai ser instalada aqui uma Frente Parlamentar da Segurança Pública, projeto meu aprovado”, frisa Bordalo.
Rosa Corrêa, advogada da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), esperava ouvir respostas mais efetivas. “O importante é que o Estado crie mecanismos para que a sociedade possa estar participando e para que o Estado possa apresentar suas metas e estratégias. Existem inúmeras estratégias que poderiam ser montadas para que a sociedade obtivesse essa respostas como tornar corriqueiras essas discussões. Nós temos no Estado do Pará, criada por uma luta travada por entidades da sociedade civil, o conselho de segurança pública onde estão presentes todos os organismos responsáveis pela segurança pública e também entidades da sociedade que têm o papel fundamental de contribuir e efetivar o controle social sobre essas atividades.”, explica.
(Diário do Pará)
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