Levantamento divulgado pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que no Brasil, as mulheres estão mais expostas à violência por parte de pessoas conhecidas do que os homens. No Pará o índice alcança 3,6% e é considerado um dos mais altos do País. Em toda a região Norte a violência praticada contra elas pelos conhecidos alcança a marca de 3,9%.
Depois do Pará e do Amapá (5,7%) maior percentual está no Rio Grande do Norte, (6,2%). A violência pode ser física, verbal ou emocional e, de acordo com a pesquisa, foi cometida por maridos, pais, filhos ou amigos. “Às vezes a violência psicológica agride mais do que a física porque mexe com a autoestima da mulher e faz com que ela seja submetida a condições muitas vezes humilhantes e desumanas” conta a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB), Procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados.
Durante os últimos 12 meses da pesquisa, 3,1 por cento da população feminina com mais de 18 anos, ou seja, 2,5 milhões de mulheres sofreram um dos três tipos de agressão. “A mulher cresce vendo a mãe ser vítima de violência doméstica e encara essa situação como natural o que é muito triste, esse é um dos motivos que me faz entrar nessa briga pra valer, a mulher não pode aceitar uma condição inferior ou achar que está sendo agredida porque provocou, o homem que agride não é normal, isso não é natural, apesar de ser tão comum”, lamenta a parlamentar paraense.
E se as mulheres estão mais vulneráveis aos conhecidos, o percentual maior de violência praticada contra os homens no Pará parte de desconhecidos revelando um indicador inverso e considerado também o mais alto do País: 6,7%. Em toda a região norte o índice é de 5,9% de homens agredidos por desconhecidos. O número nacional aponta para o universo de 3,7%. Ou seja, os agressores desconhecidos agrediram 1,2 milhões de homens nos 12 meses, enquanto que as agressões de conhecidos entre os homens responderam por 1,8% desse universo.
“O dado pode ser revelador para nos indicar que o machismo ainda é uma realidade, é muito provável que o homem que bate e apanha na rua dos desconhecidos seja o mesmo que, em seguida, chegue em casa e “desconte” na mulher, a violência doméstica ainda é atrelada ao machismo e ao preconceito de gênero, de um desejo masculino de subjugar a mulher”, afirma Elcione.
Mais de 60% não denunciam por vergonha.
(Diário do Pará)
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