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Prevenção combate o escalpelamento

Desconhecendo completamente os perigos proporcionados pela ausência de proteção do motor do barco em que era passageira, Larissa Lopes é uma das centenas de mulheres que já foram vítimas do escalpelamento. Recuperada oito anos após o ocorrido, porém, a jo

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Desconhecendo completamente os perigos proporcionados pela ausência de proteção do motor do barco em que era passageira, Larissa Lopes é uma das centenas de mulheres que já foram vítimas do escalpelamento. Recuperada oito anos após o ocorrido, porém, a jovem de 17 anos já não têm mais dúvidas de que o acidente pode ser facilmente evitado. Focando justamente a prevenção, uma sessão especial realizada na Câmara Municipal de Belém (CMB) na manhã de ontem visou levantar o debate sobre o tema.

Atendida até hoje pela Organização dos Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor (Orvam), Larissa conhece bem os perigos proporcionado pelos barcos que ainda transitam sem a proteção do eixo do motor, porém, não nega que ainda ficam dúvidas quanto ao trabalho que vem sendo desenvolvido no Estado para evitar novos acidentes. “É muito importante discutirem esse assunto porque ainda tem várias dúvidas que eu fico me perguntando. Uma delas é sobre a fiscalização. Como ela está sendo feita?”, indagava. “No meu município, em São Sebastião da Boa vista eu vejo que ainda tem muitos barcos sem a proteção”.

Em viagem na companhia de uma prima, Larissa lembra que na época, em 2007, pouco se ouvia falar em escalpelamento, falta de informação que fez com que ela se acidentasse. “Quando aconteceu comigo o meu cabelo era comprido e eu fui me deitar quando o meu cabelo engatou no eixo do motor”, relembra. “Eu nem imaginava que poderia acontecer o que aconteceu”.

Podendo arrancar não apenas os cabelos como parte do couro cabeludo, orelhas, sobrancelhas e parte da pele do rosto e do pescoço, dependendo da proporção do acidente, as consequências deixadas pelo escalpelamento vão muito além das físicas, como destaca a presidente da Orvam, Maria Cristina Santos. “Há um fluxo percorrido pelas meninas quando sofrem um escalpelamento. Primeiro elas precisam sair do risco de morte através do atendimento de urgência, depois elas são encaminhadas para a Santa Casa de Misericórdia para fazer as cirurgias eletivas pra reconstrução do couro cabeludo, em terceiro lugar elas vão para o Espaço Acolher onde ficam alojadas até se recuperarem...”, enumera. “Depois que já estão recuperadas vem a pergunta: ‘como vou voltar pro meu município sem os meus cabelos?’ e é aí que atuamos”.

Trabalhando principalmente a parte emocional das meninas e mulheres vítimas de escalpelamento, a ONG costuma focar sua atuação na recuperação da autoestima, no combate ao preconceito e na reinserção das mulheres no mercado de trabalho. “Quando elas chegam na Orvam aprendem a fazer perucas para que elas se vejam de novo com os seus cabelos. As perucas confeccionadas são usadas por elas mesmas e ainda enviamos cinco por mês para as pacientes com câncer”, destaca Maria Cristina, destacando a relevância de se discutir o assunto na casa legislativa municipal.

Maior incidência ainda é no Marajó.

(Diário do Pará)

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