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Superintendente coloca PF à disposição do governo

Acuado pelas estatísticas que apontam avanço desenfreado da violência no Pará, o governador Simão Jatene tem procurando passar a responsabilidade para os órgãos federais como a Polícia Federal. Em manifestação recente em sua página no facebook, Jatene rec

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Acuado pelas estatísticas que apontam avanço desenfreado da violência no Pará, o governador Simão Jatene tem procurando passar a responsabilidade para os órgãos federais como a Polícia Federal. Em manifestação recente em sua página no facebook, Jatene reclamou da falta de parcerias efetivas com órgãos como a Polícia Federal e queixou-se do que considera um encolhimento das ações no Estado.

O superintendente da Polícia Federal no Estado, Hildo Gasparetto discorda. Evitando polemizar e sem fazer menções diretas ao governo do Estado, afirma que há trabalhos conjuntos e troca de informações. Em entrevista exclusiva ao Diário, preferiu não falar a possibilidade do envio da guarda nacional para o Estado, mas disse que cada um precisa fazer a sua parte e garantiu que a PF está firme no combate ao tráfico internacional de drogas.

P: Houve, nos últimos anos, alguma retração no combate ao tráfico de drogas e à vigilância as fronteiras por parte da polícia federal?

R: Não. E Polícia Federal tem feito um trabalho mais concentrado na inteligência policial e na integração com os demais órgãos no combate. No último ano, houve aumento de apreensões de drogas em números. Em 2015 já temos mais apreensões que 2014. Mas isso é relativo porque a gente pode, por exemplo, prender um “mula” com uma tonelada de drogas e não prender nenhum quadrilheiro, não prender toda a quadrilha. Então qual é a nossa intenção na hora que a gente combate o crime organizado? Crime organizado tem que ser desarticulando. Nosso trabalho aqui é muito centralizado em cima disso, nós não centralizamos em cima da quantidade de drogas. A qualificação do trabalho sempre é na desarticulação do crime organizado. Aí sim, que a gente consegue chegar a combater realmente o dia a dia do crime, principalmente aqui no Estado do Pará que é muito grande.

P: Como senhor avalia o trabalho da PF neste momento?

R: Nós estamos atuando de forma integrada inclusive com os demais órgãos como a própria Polícia Civil daqui, a Polícia Militar tem nos ajudado, a Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal. Então, todos os trabalhos que estamos fazendo têm ênfase na inteligência policial e na integração com os demais órgãos para combater realmente o crime organizado. É isso que tem sido feito, porque estamos prendendo pessoas que estão acima do que seria os mulas. Nossa intenção não é encher presídios de mulas e sim, prender realmente os barões do tráfico, aquelas pessoas que realmente lucram com a desgraça da população em geral e não só aqui do Pará.

P: Há uma queixa do Estado do Pará em relação a desativação à base Candiru..

R: A base funciona há mais de 20 anos. Era uma base conjunta. Reunia Secretaria da Fazenda, do Estado (Sefa), o Ibama, Receita Federal e Polícia Federal. Havia um acordo de cooperação assinado, por várias vezes. Exemplo, um órgão era responsável pela manutenção da base em si, outro pela energia elétrica, outro por telefone celular. Então havia essa divisão do trabalho em conjunto. Nessa época 100% das embarcações sem exceção eram obrigadas a parar na base flutuante. De cinco anos pra cá, a base não teve mais condições de flutuar, foi até condenada pela Marinha. Não houve mais interesse de alguns órgãos em participar, mas a Polícia Federal nunca saiu de Óbidos. Nós estamos lá com oito policiais. Não existe uma base flutuante, mas nós estamos em terra. Temos uma casa alugada e temos a Operação Sentinela, que atua em várias bases em pontas de fronteira, dentre os quais a base Candiru. Então, nós continuamos presente. Agora se você me perguntar. Era melhor quando era flutuante? Com certeza que sim, mas hoje tem um posto em terra e a gente tem a lancha de apoio. São quatro lanchas Tanto que em números, a Base Candiru só em 2015, já fez seis apreensões de drogas, e apreensões grandes. A droga vem por Tabatinga, pelo Amazonas da fronteira com a Colômbia, então são grandes quantidades. Já somaram 105 quilos de cocaína, que é uma quantidade muito grande e dois quilos de maconha só em 2015. Em 2014, foram 340 quilos de cocaína somente no nosso trabalho na Base Candiru.

P: Há uma queixa da população muito grande com relação à violência urbana no Pará. E as autoridades em geral no Estado atribuem isso à questão nacional e ao enfraquecimento da parceria desses órgãos federias com os órgãos estaduais, como o senhor avalia isso?

R: Nós aqui da cúpula da Polícia Federal, entendemos que cada um tem que fazer sua parte. A Polícia Militar tem que patrulhar as ruas, a Polícia Civil tem que investigar, a Polícia Federal tem que investigar. Nós somos a polícia judiciária da União, então, fizemos a nossa parte. Inclusive na semana passada foi presa uma quadrilha com oito assaltantes dos correios, que assaltavam nas avenidas, então foi uma parceria muito forte. Foi feito todo um trabalho de inteligência e a quadrilha foi desarticulada, então diminuiu 80% do roubo nos caminhões dos correios nos últimos 10 dias. E essa parceria é fundamental. A Polícia Federal não coloca culpa em ninguém. Cada um tem que fazer sua parte e é fundamental, no combate ao crime e no combate ao crime organizado. A gente entende que, no momento em que há esse aumento, principalmente de homicídios, latrocínios, é fundamental que as polícias militares e civil e Polícia Federal e Rodoviária Federal trabalhem integradas, trocando informações entre todos. Isso sempre ocorreu e continua ocorrendo. E é fundamental também que esse trabalho seja apoiado e reforçado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário No momento em que essas quadrilhas são desarticuladas e presas, esse trabalho de apoio do Ministério Público nas denúncias, nas condenações, que essas pessoas realmente permaneçam presas, é fundamental. Então nós podemos trabalhar integrados, podemos, inclusive, ajudar na especialização das próprias polícias estaduais, na desarticulação de quadrilhas. Porque não adianta enchermos os presídios de “mulas” e os chefes do crime organizado estarem soltos. E nós entendemos que por traz desse aumento da criminalidade há crime organizado.

P: O senhor acredita também que por trás desse aumento de latrocínios, homicídios tem forte o tráfico de drogas?

R: O tráfico de drogas sempre vai estar no pano de fundo com relação a isso. Até porque sempre é colocado que as pessoas praticam o crime depois de usar drogas ou praticam o crime para comprar drogas, mas temos que colocar outras situações também que são fundamentais. A parte social é fundamental, não querendo aqui dar desculpa de que a pessoa pratica um crime para comer, por exemplo, mas o governo municipal, governo estadual, e federal devem trabalhar para tirar as pessoas da rua, enfim. É preciso dar condições de trabalho. Isso é fundamental também. Ninguém está dando desculpa, mas é fundamental também.

P: Como o senhor avalia as críticas do governador à falta real de parceria dos órgãos federais com o Estado?

R: Na verdade, nós entendemos que há essa parceria, é nós trocamos informações todos os dias com os órgãos do Estado.A parceria existe é e fundamental, porque o que a gente quer é que não seja jogado esse problema para o nível nacional e a população do Pará, da grande Belém fique sofrendo com isso. Nós temos que tentar resolver os problemas aqui, principalmente da Região Metropolitana de Belém, principalmente onde estão acontecendo esses crimes. E a Polícia Federal está à disposição, assim como eu tenho certeza, a Polícia Rodoviária também. É um princípio básico. Nós temos poucas formas de chegada a Belém, se nós fecharmos a BR-316, fecharmos essa parte dos rios, e a parte que vem de cima da aviação, fica mais fácil de combater. Agora, que vai continuar chegando droga, vai chegar porque onde há procura, há oferta. É assim no mundo todo. Os trabalho das polícias é se integrarem ao máximo e diminuir a sensação de impunidade.

P: Embora não seja o papel da Polícia Federal especificamente, como é que ela pode ajudar o Estado do Pará a reduzir essa violência urbana que tem preocupado?

R: Colocando à disposição inclusive da própria Polícia Civil, uma especialização maior dos próprios policiais, colocando à disposição também a parte de inteligência policial, porque nada se faz hoje apenas querendo fechar fronteira. É fundamental o trabalho de inteligência policial para desbaratar as quadrilhas. E a gente está à disposição, a gente tem conversado.

(Diário do Pará)

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