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Denunciantes sofrem atentado a tiros

O repórter fotográfico e cinematográfico Herlon Peres de Oliveira, de Barcarena, que presta serviço para a RBA, foi agredido a coronhadas de revólver e ameaçado de morte naquele município, na última quinta-feira, 11. O crime se apresenta como flagrante re

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O repórter fotográfico e cinematográfico Herlon Peres de Oliveira, de Barcarena, que presta serviço para a RBA, foi agredido a coronhadas de revólver e ameaçado de morte naquele município, na última quinta-feira, 11. O crime se apresenta como flagrante retaliação ao exercício profissional, segundo nota divulgada no sábado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Pará (Sinjor), que cobrou “manifestação pública do secretário de Segurança, general da reserva Jeannot Jansen”. O caso foi registrado na delegacia de polícia da Vila dos Cabanos. O sindicalista Bosco de Oliveira Martins, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) em Barcarena também diz estar sofrendo ameaças de morte e que tanto a cabeça dele quanto a do fotógrafo, além de outros 13 líderes de comunidades e sindicalistas da região estariam valendo R$ 5 mil, cada uma.

No boletim da ocorrência policial, todos afirmam que as ameaças seriam decorrentes de denúncias de contaminação do meio ambiente supostamente praticada pela empresa multinacional Bunge, que faz transporte de soja do porto de Miritituba (Itaituba), no oeste paraense, até Barcarena para exportação em navios até os mercados da China, Estados Unidos e Europa. Segundo o BO, um Gol verde, sem placas, e um Corsa Sedan prata estão rondando o bairro da Fazendinha pela noite atrás das lideranças que estiveram na delegacia para denunciar as ameaças.

No dia 11, às 10 da noite, o fotógrafo Herlon Peres foi atacado por dois homens que estavam em uma motocicleta Bros preta, sem placa. Na hora da agressão, um Corsa prata dava apoio aos criminosos. Segundo o fotógrafo, os homens disseram para ele que aquilo era um aviso para que Peres não se metesse onde não devia. “Eu caminhava pela rua quando eles apareceram na motocicleta, com os rostos ocultos pelos capacetes. Um deles disse para o outro: “acaba logo com ele (Herlon)”, conta a vítima. A dupla imobilizou o jornalista agarrando-o pelo braço esquerdo que foi colocado nas costas e, em seguida, teve o rosto encostado na grade de uma escola. Um conhecido do repórter avistou a agressão e gritou, alertando os criminosos.

Antes de fugir, os bandidos deram uma coronhada na cabeça do fotógrafo, abandonando-o ensanguentado e semi consciente no chão. Ele será submetido a exame de corpo delito em Abaetetuba, no decorrer desta semana. Herlon Peres conta que no sábado à noite, um dia depois do registro da agressão na polícia da Vila dos Cabanos, por volta das 20 horas “estávamos dentro de uma Kombi eu, Bosco Oliveira, Roberto Vasconcelos, Paulo Cezar e Jandira Pantoja, que inclusive também estão na mesma ocorrência policial de ameaça de morte, quando uma Pick-Up Ford prata sem placas nos seguia na estrada que dá acesso à Fazendinha, forçando nosso motorista a entrar rapidamente em uma rua onde estavam muitas pessoas em uma festa.

Nesse momento, de dentro da Pick-Up, partiram nove disparos de arma de fogo contra a Kombi, assustando a todos. O veículo, em seguida, deixou rapidamente o local. Ontem pela manhã a Polícia Militar esteve no local e recolheu na rua as cápsulas dos projéteis disparados. Na delegacia de Vila dos Cabanos o caso foi registrado como “tentativa de homicídio”.

A vítima tem documentado com seu trabalho a ação da Bunge, acusada de dano ambiental pelos moradores da área, que pode ter causado problemas de saúde para cerca de 200 pessoas devido à contaminação ocasionada pelo despejo de soja estragada no rio, além de outros problemas ambientais causados pelas centenas de carretas a serviço da empresa que abastecem com combustível os empurradores que trazem as barcaças com soja do porto de Miritituba, de acordo com reportagem publicada pelo Diário no último dia 7.

O Diário procurou a Bunge para que ela se manifestasse sobre os atentados. Em nota lacônica, a empresa afirma que “repudia essa insinuação e acusação”, informando que aguarda o desenvolvimento da investigação policial “para tomar as medidas que forem cabíveis, inclusive relacionadas à denunciação caluniosa”. A empresa responde a uma ação civil pública, juntamente com o Estado do Pará, movida pelo advogado Ismael Moraes, defensor das comunidades de Barcarena, para que responda pelos supostos crimes ambientais de que é acusada. A ação deve ser julgada no próxima quinta-feira pelo juiz Elder Lisboa Ferreira da Costa.

Evandro Chagas faz análise da água.

Omissão das autoridades gera protestos.

(Diário do Pará)

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