Circula no país desde 2014 um novo genótipo do vírus Chikungunya, o tipo africano que nunca tinha sido registrado nas Américas. No Brasil, até então, só haviam identificado o genótipo do vírus Chikungunya Asiático de um caso importado no ano de 2012 no RJ, não transmitido localmente. De acordo com as análises realizadas, trata-se do genótipo Leste-Centro-Sul da África (ECSA).
O estudo que detectou a entrada do novo vírus no país foi organizado pelo Instituto Evandro Chagas,em colaboração com grupos de pesquisa de Oxford e do Texas, através dos pesquisadores do Centro de Inovações Tecnológicas da Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas (CIT-SAARB/IEC).
Antes da identificação do vírus africano nas Américas, só havia sido detectado um genótipo do vírus Chikungunya, o Asiático, o qual gerou um surto e que se espalhou para vários países a partir da Ilha de São Martinho no Caribe. As evidências indicam que o vírus da linhagem Asiática foi introduzido no Brasil pelo município de Oiapoque, no Estado do Amapá.
De acordo com a Dra. Janaina Mota de Vasconcelos que integrou a equipe de pesquisadores que colaboraram com a detecção do vírus africano no Brasil é importante fazer o monitoramento do sequenciamento genético do vírus. “Este trabalho é fundamental porque o vírus Chikungunya encontrou no país o vetor (Aedes aegypit), as condições climáticas propícias para proliferação do vírus e ao longo do tempo pode sofrer mutações e passar a ser transmitido também pelo Aedes albopictus, que também transmite o Chikungunya”.
A porta de entrada do vírus do tipo africano no Brasil foi o município de Feira de Santana, na Bahia, quando um brasileiro infectado na Angola viajou para o Brasil e a partir dele surgiram casos de transmissão autóctone (transmissão local).
“Tem o risco de se tornar uma epidemia, mas esse vírus não é como a da dengue. A taxa de mortalidade dele é baixíssima, quase zero, em condições extremas. É um vírus que possui características importantes: a dor nas articulações é um sintoma muito comum nestes casos e dos pacientes infectados pelo vírus Chikungunya, de 20% a 30% deles sentem uma dor intensa nas articulações por meses e até anos”, destacou a Dra. Janaína Vasconcelos.
A pesquisadora acrescenta que o tratamento dos sintomas é o mesmo para infectados pelo Chikungunya, nas duas modalidades de vírus. “Para quem adoece infectado pelo vírus asiático ou africano, recebe o mesmo tratamento. Apesar do vírus da dengue ter quatro sorotipos diferentes, o manejo clínico é o mesmo, o tratamento nesses casos é apenas das manifestações clínicas, uma vez que não há terapia específica"
(Diário do Pará)
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