Segurando com as duas mãos o corrimão, a descida da aposentada Maura Conceição pela escada comum do Pórtico Metrópole precisa ser a passos lentos. Ainda que do caminho a senhora de 77 anos seja capaz de enxergar uma escada rolante e um elevador, a ausência de funcionamento dos mesmos lhe obriga a, mesmo que mancando, descer degrau por degrau. Ainda longe de atingir o chão, Maura para no meio da escada, ajeita a bolsa que já lhe escorrega dos ombros e recupera o fôlego antes de encarar os outros dois lances de 14 degraus cada que ainda precisaria vencer. “Deveria tá funcionando pelo menos essa escada rolante”.
Instalada para facilitar o acesso de centenas de pessoas que circulam pela passarela que leva de um lado ao outro da rodovia BR-316 todos os dias, a escada interditada por um cone é apenas o primeiro dos obstáculos encontrado por quem precisa descer na rodovia no sentido da saída da cidade. Além da escada rolante da descida, o elevador também não funciona. “Há muito tempo que isso tá assim. Pra subir até que tem a escada rolante, mas pra descer tem que ser nessa normal mesmo”.
Após ter acessado a passarela do outro lato da rodovia, a servidora pública Joseane Neves não conseguiu esconder o descontentamento ao se deparar com a escada interditada. Precisando descer em direção à rua, a moça foi obrigada a encarar a escada comum mesmo com a dificuldade de locomoção. “É preciso ter acessibilidade. Agora quem tem deficiência física tem que se submeter a isso”, se referia à escada comum, enquanto se dirigia até ela mancando. “A pessoa já tem uma dificuldade física e ainda tem que superar a dificuldade arquitetônica. Isso aqui foi planejado para ser acessível, mas isso exige manutenção. As máquinas desgastam e têm que ter manutenção pra continuar funcionando”.
Na esperança de ainda conseguir descer da passarela com mais facilidade, Joseane ainda tentou se dirigir ao elevador instalado às proximidades da escada. O descontentamento, porém, foi reforçado ao constatar que o elevador também não estava funcionando. “Eu tenho uma deficiência, mas ainda consigo andar... e quem é cadeirante, como faz?”.
Ofegante pelo esforço executado para descer os três lances de escada aos 74 anos de idade, a aposentada Maria dos Santos Souza buscava compreender o porquê do não funcionamento. “Para a gente que é idoso é difícil. A gente desce uns degraus e já fica cansado”, justificava, lembrando que, além de não funcionar, os elevadores e as paredes do pórtico estampavam pichações. “Gastaram dinheiro que é do povo pra fazer isso aí, então tinha que tá funcionando. Assim que quebrasse era pra consertar”.
Terminal Rodoviário é outra agressão ao contribuinte.
(Diário do Pará)
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