O que é apenas uma tendência, poderá ser constante nas bancas de Belém. O peixe mais barato que os paraenses vêm encontrando nas feiras da cidade ganhará um reforço quando a produção aquícola do Lago da Usina de Tucuruí, e outras iniciativas do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), estiver em pleno funcionamento. De acordo com o ministro da pasta, Helder Barbalho, o Pará pode ter destaque na produção. “A capacidade de Tucuruí é de mais de 162 mil toneladas por ano e injetará R$ 1 Bilhão na economia paraense”, destacou.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, recentemente, estudo demonstrando que o preço do pescado na capital teve uma redução de 39% em maio. Porém não há garantia de que essa tendência continue. A pesquisa foi realizada em pontos comerciais e feiras da capital e, toda semana, coletou, os preços de 38 tipos de pescados mais consumidos.
A aquicultura é o grande potencial do estado e o Lago de Tucuruí já produz 13.470 toneladas por ano nos parques aquícolas já demarcados, o que resulta em R$ 90 milhões em receita para os produtores. “Há espaço para se produzir 149.000 toneladas por ano, gerando receita para os aquicultores”, ressalta Helder.
Além do retorno nos investimentos, o estado ganha, apenas em Tucuruí, cerca de 1.400 empregos diretos e mais de 5.800 indiretos. Mas, para isso, o MPA realiza esforços no sentido de fazer a regularização da atividade, a promoção de uma aquicultura ambientalmente correta e socialmente justa, entre outros. “Pará pode tornar-se um dos maiores produtores de pescado do Brasil”, garantiu Helder.
PLANO
Para se chegar a este resultado, o governo federal vai lançar, nos próximos dias, o Plano Safra da Pesca e Aquicultura (PSPA), que destinará R$ 2 bilhões em linhas de créditos subsidiados. Esses recursos estão garantidos e não sofreram cortes por causa do reajuste fiscal. “São oriundos de fundos governamentais e de bancos estatais, como o BNDES”, explicou Helder.
A aquicultura movimenta no mundo mais de US$ 600 bilhões, sendo que US$ 136 milhões são para exportação. Entretanto, a produção brasileira ainda engatinha. Helder traçou o objetivo de elevar dos atuais 475 mil para 2 milhões de toneladas em 2020 na produção aquícola e, na pesca, pular de 765 mil para 1 milhão de toneladas. “O Pará tem todas as condições de ser destaque na atividade pesqueira”, afirmou.
Nas cadeias produtivas da aquicultura, a expectativa é de uma produção de 1.750.000 toneladas de peixes, 200.000 toneladas de camarão, 40.000 toneladas de mexilhões e 10.000 toneladas de ostras. Para isso, o Helder determinou que o MPA desenvolvesse ações como apoiar o setor na capacitação de produtores, técnicos e trabalhadores para as boas práticas de manejo e medidas de biossegurança, realizar trabalhos junto às instituições financeiras para facilitar o acesso ao crédito, bem como junto aos governos estaduais, com o intuito de agilizar e simplificar os processos de licenciamento ambiental para a aquicultura, entre outros.
(Diário do Pará)
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