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"O sangue era das facadas que eu levei"

O operário Edupedro Moraes sentia que a violência lhe rondava. Morador do Icuí, em Ananindeua, ele tentava se cercar de cuidados para postergar o dia em que, inevitavelmente, entraria para as estatísticas. "Nunca achei que não fosse ser vítima da violênci

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O operário Edupedro Moraes sentia que a violência lhe rondava. Morador do Icuí, em Ananindeua, ele tentava se cercar de cuidados para postergar o dia em que, inevitavelmente, entraria para as estatísticas. "Nunca achei que não fosse ser vítima da violência. Todos os dias têm pessoas que perdem a vida, a família, para a criminalidade. Existia sempre aquela certeza de que um dia eu seria o próximo...".

No dia 24 de outubro do ano passado, Edupedro voltava de moto para casa após um dia de trabalho. Por volta das 20h30, quando já estava na rua onde morava foi abordado por cinco homens, todos armados. "Três deles com arma de fogo e dois com facas. Estava bem escuro na hora do ocorrido, pois a lâmpada do poste havia sido quebrada. Eles pularam na minha frente. Joguei a moto no chão e fiquei frente a frente com os cinco", detalha.

Edupedro tentou negociar: entregar tudo e ser liberado. "Entreguei a mochila e todos os meus pertences. Eles exigiram a sapatilha e camisa. Quando estava tirando a camisa, dois deles me atingiram, ao mesmo tempo, cada um de um lado. Sem motivo algum eles fizeram isso. Não havia reagido. Era um contra cinco", relembra.

"Só percebi que tinha levado as facadas por causa do sangue escorrendo pela minha bermuda". Edupedro conta que mesmo entregando tudo o que tinha, eles relutavam em deixá-lo. Só seguiram, após ameaçá-lo. "Eles deixaram eu ir dizendo que se eu fosse correr pro rumo do PM Box eles me matariam".

Sozinho e sangrando muito, Edupedro achou realmente que fosse morrer ali.

O operário ainda encontrou forças para caminhar até a pista principal, que ficava a uns 100 metros do local do ocorrido. "Quando cheguei na pista, pedi ajuda a um rapaz que passava. Ele me estendeu a mão e foi comigo até à UPA do Icuí. No caminho pedimos ajuda a dois policiais que estavam de plantão no PM Box do Icuí, mas não fizeram nada, dizendo que não havia condução para me levar".

"Apanhamos um ônibus para chegarmos mais rápido até a UPA. De lá fui transferido com urgência para o Metropolitano, onde fui operado por volta das quatro da manhã em estado grave", conta Edupedro. Após sete dias, o operário recebeu alta e hoje está de benefício, sem poder trabalhar. As facadas perfuraram alguns órgãos vitais, que mesmo com a cirurgia ficaram comprometidos.

A mudança de bairro foi inevitável. Mesmo assim os dias têm sido mais tensos ao lado da esposa e dos dois filhos, de seis e quatro anos.

"Jesus foi quem me deu forças pra conseguir chegar até a UPA e enviou um anjo pra me ajudar. Fiquei super decepcionado com o modo que aqueles policiais me trataram. Nem lembro quais foram, mas levo como lição a valorização da vida e agradeço ao anjo que me salvou.".

Edupedro Moraes, operário

O Edupedro contou a história dele, como mais uma vítima de violência em nosso Estado. E você? Compartilhe com a gente um momento imortante: redacao@diarioonlne.com.br

(Bernadeth Lameira)

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