Que o Pará bate recordes já há alguns anos quando o assunto é número de homicídios, na comparação com outros estados das regiões Norte e Nordeste, isso não é novidade faz tempo - só para se ter uma ideia, de acordo com o mais recente Mapa da Violência, lançado esse ano e que leva em consideração o período 2002-2012, não tem para ninguém em número de mortes por armas de fogo: foram 18.068 óbitos registrados em dez anos, deixando para trás, e comendo poeira, todos os outros estados das duas regiões, exceto Bahia (38.448) e Pernambuco (36.382). No entanto, até esses estados já dão sinal de recuperação, ao contrário do Pará, cada vez mais imerso em um redemoinho de insegurança pública que parece girar cada vez mais rápido.
Evidenciadas as tristes estatísticas da violência na capital e no interior, e que se tornaram mais frequentes e desinibidas de dois anos para cá, com assassinatos ocorrendo à luz do dia em bairros centrais, chacinas e manifestações populares violentas orquestradas e controladas de dentro das penitenciárias, naturalmente, a população e as autoridades e entidades competentes começaram a se voltar ao Governo do Estado pedindo, principalmente, por soluções que fossem além do paliativo. Força Nacional, políticas públicas voltadas à Educação, Saúde, geração de emprego e renda e recuperação dos apenados do sistema prisional, de tudo foi citado; quase nada foi feito. Enquanto isso, a ‘vizinhança’ mostra que com um mínimo de boa vontade e gestão de competência, é possível dar início à virada do jogo.
O ano de 2014 foi de muita dificuldade para o Sistema de Segurança Pública do Maranhão principalmente por conta dos episódios ocorridos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Em um único ano, só de lá fugiram mais de cem detentos e mais de uma dezena de mortes foi registrada durante os motins. As rebeliões continuaram ocorrendo em 2015 - já foram duas, pelo menos, só em Pedrinhas -, e mesmo com números gerais bem inferiores aos do Pará (7.506 para 2002-2012), o Poder Executivo não hesitou em pedir apoio à Força Nacional, que se mantém no Estado desde o final do ano passado. O estado é governado por Flávio Dino, do PC do B, que no início desse mês, pelas redes sociais, sofreu críticas por ter pedido ajuda ao Governo Federal, reforçando que investiu na contrapartida do Governo Estadual a fim de promover uma união de esforços.
“Aumentamos o número de policiais com redução de pessoal em serviços administrativos. Compramos novo serviço de radiocomunicação e armas. Chamamos concursados na Polícia Militar e na Polícia Civil, e aumentamos a remuneração de todos os policiais (...). Os números provam que a criminalidade parou de crescer e vem reduzindo. A Força Nacional está atuando há meses no Maranhão, desta feita com foco no que há de mais urgente: investigação de homicídios”, anunciou ele, em resposta dada em seu perfil. O Governo do Pará se nega a pedir ajuda do Governo Federal para enviar a Força Nacional ao estado.
Caindo ou não, estão melhores do que no Pará: foram 281 homicídios em São Luís e Região Metropolitana nos primeiros quatro meses do ano, contra 364, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Pará (Segup), em Belém e RMB. Em uma simples passada nos sites oficiais do Governo do Maranhão, é possível também confirmar que houve investimento em transparência da gestão da Segurança Pública, já que é possível ter acesso a qualquer momento a um mapa diário de homicídios.
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(Diário do Pará)
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