Com a perspectiva de que cerca de 90% dos médicos tenham dificuldade de diagnosticar e tratar as chamadas dores neuropáticas, profissionais de saúde se reuniram na manhã do último sábado no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia para discutir as melhores formas de abordagem e manejo de pacientes que sofrem com dores crônicas. O evento contou com a participação de representantes da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (Sbed).
Anestesiologista, clínico de dor e organizador do evento, o médico Mauro Araújo explica que as dores neuropáticas são causadas por alguma disfunção do sistema nervoso e podem atingir partes diferentes do corpo humano. Apesar de muito incidentes na sociedade, ele lembra que a maioria das faculdades de medicina do país não abordam a doença na graduação. “Esse é um assunto que não é abordado dentro da faculdade de medicina. De 100 faculdades, nem 10 ensinam essa disciplina”, afirma. “Mais de 90% dos médicos não sabem diagnosticar e nem tratar as dores neuropáticas que tem uma grande incidência. Estima-se que mais de 50% das lombalgias são caracterizadas como dores neuropáticas, assim como enxaquecas”.
Muitas vezes tratadas com medicamentos mais comuns, Mauro Araújo destaca que as dores neuropáticas demandam atendimento multiprofissional e só podem ser tratadas com medicamentos específicos. Daí a importância de difundir as formas de tratamento da doença. “Não adianta tratar as dores neuropáticas com analgésicos porque eles não tratam essa dor. Essa dor só pode ser tratada com antidepressivos e anticonvulsivantes”, explica. “São medicamentos que tratam a longo prazo. É um tratamento difícil porque precisa de integração de especialidades para o paciente conseguir se restabelecer. É necessário atendimento multidisciplinar com médico, psicólogo, fisioterapeuta, enfermeiro e terapeuta ocupacional”.
QUALIFICAÇÃO
Informando que as dores neuropáticas foram destacadas pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (da sigla em inglês IASP), o médico Mauro Araújo reforça que o evento pretende auxiliar na qualificação dos profissionais de saúde para que o diagnóstico da doença possa ser o mais rápido possível. “É uma forma de divulgar e melhorar o atendimento dos pacientes que sofrem com dores neuropáticas”, acredita. “O diagnóstico tem que ser o mais rápido possível para que o tratamento dê resultados”.
(Diário do Pará)
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