"Eles não estão conseguindo dar conta do atendimento. Tem pacientes transferidos do PSM da 14 de Março para cá que estão aguardando para fazer cirurgia, inclusive com dieta zero”, relatou a técnica de enfermagem Sandra Gomes, 32, diante da grande demanda de pacientes à espera de atendimento no Hospital de Pronto-Socorro Municipal do Guamá Humberto Maradei. Há muitos pacientes nos corredores, em pé, sentados e outros até no chão. “Meu marido está em crise, com pedra na vesícula, e desde a hora que chegou, umas 10h, está de pé esperando. Só estamos saindo agora (por volta das 16h de ontem) porque falei sobre a situação dele e encaminharam a gente para abrir prontuário no Barros Barreto”, reclamou.
A técnica de enfermagem conta que o esposo, José Augusto Pinheiro, 38, estava aguardando para fazer uma cirurgia para tratar o problema desde a última quarta-feira, quando apresentou a crise. Neste dia, o casal que mora no bairro do Curuçambá, em Ananindeua, deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Icuí, mas devido à indicação cirúrgica, José foi transferido para o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, da 14 de Março, anteontem, no mesmo dia em que um incêndio atingiu o hospital, o trágico episódio que causou pânico em pacientes, familiares, funcionários, equipe médica e a população.“Chegamos pela manhã no PSM da 14 de Março e estávamos aguardando a avaliação médica para a cirurgia, mas aconteceu essa tragédia. Quando pegou fogo não queriam liberar a gente. Os enfermeiros disseram que estava tudo sob controle, talvez nem eles soubessem da proporção. Só quem viveu sabe dizer. Fizeram uma maquiagem toda. Empurramos a porta para sair porque já estava entrando fumaça”, continuou.
Sandra disse ainda que viu uma senhora morrer na porta da ambulância e funcionários desmaiando. “Eles ficaram removendo os pacientes e encaminharam meu esposo para a Santa Casa. Mas não ficamos lá porque já estava superlotado. Hoje mandaram a gente para cá, mas também está lotado”, completou.Alguns pacientes que deram entrada no PSM do Guamá ontem tiveram que retornar para suas casas sem receber medicação. Foi o caso do filho de sete anos da estudante Janaina Araújo, 25. O menino deu entrada no hospital com o quadro de diarreia e vômito, porém não foi medicado por conta da superlotação no pronto-socorro. “Eles disseram que tem muita gente para ser atendida, porque tem muitos pacientes que foram transferidos do PSM da 14. Por isso não estão podendo consultar. Só passaram a receita para fazer a medicação em casa”, afirma.
Já a aposentada Ana Maria, 72, foi ao local procurar por uma amiga que havia dado entrada no hospital e ficou perplexa com o que presenciou naquele lugar. “Entrei agora aí e saí quase morta. Isso é uma tristeza para o ser humano, para o estado e para o país. É um lugar com muita sujeira e uma fedentina horrível. Vim atrás de uma amiga que me informou que deu entrada aqui. Mas tem muita gente por todo lado e não se consegue encontrar ninguém”, reclama.A reportagem do DIÁRIO solicitou resposta à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) para esclarecimentos a respeito da dificuldade denunciada pela população para conseguir atendimento no PSM do Guamá. Até o fechamento desta edição não houve retorno.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar