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Sangue do cordão umbilical pode salvar vidas

Rico em células-tronco, o sangue do cordão umbilical tem apresentado resultados promissores para o tratamento de várias doenças e pode até salvar vidas. Desde 1988 já foram realizados cerda de 14 mil transplantes deste sangue na terapia de mais de 80 tipo

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Rico em células-tronco, o sangue do cordão umbilical tem apresentado resultados promissores para o tratamento de várias doenças e pode até salvar vidas. Desde 1988 já foram realizados cerda de 14 mil transplantes deste sangue na terapia de mais de 80 tipos de doenças, no mundo. Já o Brasil começa a acelerar os passos para o combate dos males, através de estudos. Para o médico hematologista da Criogênesis, Nelson Tatsui, a terapia celular é uma realidade e tem um futuro promissor no tratamento de diversas doenças. “Cremos no artificio que ela tem inúmeras possibilidades de tratamento de enfermidades, principalmente ósseas e na medula espinhal. Não podemos afirmar que isso será a chave para combater todos os males, mas sim, será o futuro para tratar muitos pacientes”, destacou.

Desde 2003, o grupo atua na coleta, processamento e criopreservação de células-tronco do sangue e do tecido do cordão umbilical no país. Mesmo sendo uma tecnologia oferecida por atendimento particular, o Sistema Único de Saúde- SUS já estuda a possibilidade de integração na rede pública. O trabalho do centro de pesquisa desenvolve estudos de ponta sobre células-tronco, e tem colocado o Brasil no caminho certo para a obtenção de bons resultados clínicos nesse sentido.

O cordão umbilical pode ser doado e o sangue proveniente dele armazenado em baixíssimas temperaturas. A meta é utilizar esse sangue nas terapias que antes exigiam o transplante de medula óssea. Segundo dados do Banco de Cordão Umbilical, de janeiro a abril e 2015, o número de famílias que optaram por coletar e armazenar o sangue do cordão umbilical dos seus filhos cresceu 148% em relação ao mesmo período do ano passado. O índice revela que a crença dos médicos e dos pacientes na eficácia do sangue tem se tornado cada vez mais comum.

“É importante que os pacientes tenham essa preocupação, para que no futuro eles mesmo achem bons resultados. Creio que no Pará existam esses estudos, porém as coletas podem ser feitas nos hemocentros. Pois a coleta, mostra a necessidade em tratar as doenças degenerativas, como diabetes do tipo 1 e traumas. O caminho da células-tronco é esse, promissor”, apontou o especialista. De acordo com a Fundação Parent’s Guide to Cord Blood, as células-tronco já são utilizadas para o tratamento de 80 doenças, sendo que, destas, 36 enfermidades se encontram em fase de aplicação em voluntários humanos. Dentre as principais, estão a Leucemia, Talassemia e Linfomas.

A expectativa é que as pesquisas com o sangue das células-tronco, também comprovem a eficiência do material para o tratamento da AIDS, AVC, enfarte do miocárdio e até lesões na coluna, além de doenças degenerativas, como o Alzheimer e Parkinson, e por fim, problemas pulmonares. Portanto, há mais de 250 doenças em estudo para serem tratadas. “O caminho é que possivelmente, as células evoluam para as indústrias farmacológicas”, avalia Tatsui.

COMO E ONDE DOAR

Há anos, a prática da doação está sendo estimulada no Brasil e em várias cidades existem bancos de sangue especializados na captação. No Pará, o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (Bscup) da Fundação Hemopa é único na região Norte do país e possui unidade de coleta em parceria com a maternidade da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA) e com a maternidade do Hospital Regional Abelardo Santos. Até o momento, o Bscup possui 691 unidades coletadas, sendo 410 liberadas para transplante de medula óssea. Em março do ano passado, houve compatibilidade de um doador paraense com um paciente do Paraná. A capacidade de armazenamento do bioarquivo do hemocentro é de 3.600 amostras.

eAna Luiza Meireles, diretora Técnica do Hemopa, explica que cada nova unidade de sangue de cordão umbilical e placentário coletada se traduz em um potencial doador cadastrado no sistema Renacord passível de ser compatível para Transplante de Medula Óssea (TMO). “Como a compatibilidade é difícil de ser alcançada, quanto maior for o número de cadastros, maior as chances de se encontrar um produto compatível”.

(Diário do Pará)

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