O requerimento com o pedido de instalação da CPI já foi protocolado e a retirada de assinaturas até pode ocorrer, mas às custas de um grande desgaste político para quem o fizer. “O prefeito está numa situação bastante delicada politicamente. Chovem irregularidades na sua administração. A saúde é um caos, o saneamento atolado em denúncias. Até a superintendente da Semob está sendo acusada de fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica. O prefeito está acuado e irritado e não consegue dialogar com sua base. Com certeza vai retaliá-la agora”, analisa o vereador Fernando Carneiro (Psol).
Ele também não acredita que vereadores que assinaram o requerimento da CPI retirem suas assinaturas. “Até o fim da tarde de hoje [ontem] todas as 19 assinaturas estavam lá. O processo está caminhando. Temos sete requerimentos de instalação de CPI em andamento, mas o colégio de líderes pode reunir na volta do recesso e estabelecer qual é a comissão prioritária. Podem funcionar até três CPIs simultaneamente.”
Para Carneiro, a prefeitura está paralisada, preocupada apenas em responder a denúncias de corrupção e irregularidades e isso acaba se refletindo no parlamento. “Como não existem obras, também não há como atender pedidos dos vereadores, que acabam se revoltando com o prefeito. Muita coisa pode acontecer”, analisa.
O vereador Welington Magalhães (PPS) assinou o requerimento da CPI por achar ”importante ir a fundo na apuração as denúncias que atingem a saúde no município e esclarecer as questões colocadas pela imprensa diariamente”. Ele disse não ter recebido chamamento do prefeito após assinar a CPI e deixou claro que acatou o requerimento individualmente, “de acordo com o que eu penso, com o que eu acho certo, sem orientação do partido”.
Moa Moraes (PCdoB) avalia que a proximidade das eleições, a gestão imobilizada e o aumento das denúncias contra a administração municipal fará com que a “base aliada” que sustenta Zenaldo na Câmara Municipal se desfaça aos poucos. “Os vereadores Abel Loureiro e Dr. Elenilson são médicos e da Comissão de Saúde da Câmara. Como ficariam sem assinar uma CPI que investiga a saúde? Cumpriram seu papel. Agora quem assinou e quiser tirar vai assumir o desgaste”.
Para o vereador do PCdoB, o prefeito tentará segurar a CPI nas comissões da casa, como ocorreu com a CPI de autoria do vereador Victor Cunha (PTB), também da base, que pretende investigar a máfia da bilhetagem eletrônica na Semob. “Há seis meses que o vereador tenta instalar a comissão mas não consegue. Desde o início do ano, quando o relatório da CPI do BRT foi entregue, mais nenhuma comissão foi instalada”,
lembra Cunha.
(Diário do Pará)
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