A demora na realização de procedimentos cirúrgicos em crianças cardiopatas e o calor excessivo são as principais reclamações de familiares que acompanham pacientes em tratamento no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém. Prestes a completar 3 meses naquele hospital como acompanhante da filha Yasmin, de 8 anos, Marcia Soraia Lima Nascimento, 34 anos, disse ao DIÁRIO que médicos e enfermeiros não prestam informações sobre os procedimentos aos quais a menina precisará se submeter nem quando serão feitos.
Enquanto isso, Yasmin já passou por um quadro viral que preocupou a mãe. “Eles (do hospital) disseram que nós tínhamos que ir embora para tratar a gripe em casa, mas disse que, se o problema é com a medicação, eu compro os remédios para que ela continue no hospital para fazer o cateterismo”.
A descoberta da doença de Yasmin ocorreu aos três anos de idade. “Através de escuta cardíaca, fiquei sabendo que ela tinha fístula coronariana. Ainda aos três anos, a médica pediu que fosse feito o cateterismo pediátrico para avaliar a necessidade de cirurgia. Mas o hospital sinalizava que isso não poderia ser feito e que eu teria que fazer fora do Estado, em São Paulo, por exemplo. Na época, o laudo não foi autorizado porque, segundo a justificativa do documento, ‘não havia prestador para realizar este exame em criança”.
Quando a menina completou 6 anos, a mãe acionou o Ministério Público, mas não houve avanço. Dois anos depois, a filha conseguiu realizar o cateterismo, em março deste ano, mas ainda necessita se submeter a um segundo, sem data prevista. Ela, que tem dois filhos, se desdobra entre o filho mais velho, de 12 anos, e os cuidados com a filha cardiopata. “A Yasmin já entende o que é ficar longe de casa e chora muitas vezes com vontade de sair daqui, mas a gente não pode abandonar o tratamento, senão seria negligência nossa como pais”, contou Márcia.
Pacientes convivem com calor e carapanãs.
(Diário do Pará)
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