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Ato pede o fim da impunidade

Os oito meses da chacina que vitimou 11 pessoas na periferia de Belém foram lembrados com um ato público realizado, no último sábado, por amigos e familiares das vítimas na Terra Firme. O gesto vem se repetindo no bairro desde o dia 5 de novembro do ano p

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Os oito meses da chacina que vitimou 11 pessoas na periferia de Belém foram lembrados com um ato público realizado, no último sábado, por amigos e familiares das vítimas na Terra Firme. O gesto vem se repetindo no bairro desde o dia 5 de novembro do ano passado, quando cinco jovens da área foram mortos no mesmo dia. A chacina ficou marcada como um dos episódios mais violentos de Belém.

Segundo o coordenador da Comissão Justiça e Paz da Terra Firme, Francisco Batista, o objetivo é pedir justiça para as vítimas e punição aos responsáveis pelos homicídios, além de chamar a atenção das autoridades para o fim da violência na cidade. “Não queremos justiça apenas por ser uma obrigação do Estado, mas que os verdadeiros culpados sejam de fato punidos”, explica Batista.

O grupo formado por cerca de 20 pessoas se concentrou na praça central do bairro formando um grande círculo. De mãos dadas pediram mais políticas públicas para a juventude da periferia. Os manifestantes lembraram que os moradores assistem, há tempos, a execuções de jovens no bairro, a maioria pobres e negros.

Com pipas erguidas simbolizando a liberdade, a esperança e a paz, eles seguiram por ruas do bairro. A caminhada realizou três paradas nos locais onde os jovens foram mortos. Durante o ato, os manifestantes falaram palavras de ordem de resistência, mensagens de esperança e se posicionaram contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

SAUDADE

Além da saudade, o sentimento dos familiares é de revolta pela falta de informações sobre o processo de investigação dos acusados e de medo. “A chacina continua na Terra Firme. O que eles dizem que é acerto de conta na verdade é a crueldade de pessoas que acham que todo jovem pobre e negro é bandido”, desabafa Meire Gemaque, tia de Bruno Gemaque, uma das vítimas da chacina do ano passado. Bruno tinha 20 anos, era cobrador de ônibus e foi morto com vários tiros quando voltava para casa com a namorada.

CRONOLOGIA DA MATANÇA

4 e 5 de novembro de 2014

Após a morte do cabo PM Pety, uma onda de assassinatos foi deflagrada nos bairros da Terra Firme, Guamá, Jurunas, Tapanã e Sideral. A seguir, a ordem dos assassinatos, locais e horários.

Às 19h30, o cabo Pety foi assassinado no Guamá
Às 22h, Eduardo Felipe Chaves,de 26 anos, foi baleado e morto na Terra Firme
Às 22h, Bruno Gemaque, de 20 anos, também foi baleado e morto na Terra Firme
Às 22h, Cezar Augusto da Silva, de 25 anos, foi assassinado a tiros na Terra Firme
Às 22h30, Marcos Murilo Ferreira, de 20 anos, foi baleado e morto no bairro do Marco
Às 23h, Jefferson Cabral dos Reis, 29 anos, foi baleado e assassinado na Terra Firme.
À 0h30 de 5 de novembro, Nadson Roberto, de 28 anos, foi baleado no Jurunas. Morreu na hora.
Jean Oscar dos Santos, de 33 anos, foi assassinado no Jurunas às 1h30.
Alex dos Santos Viana, 20 anos, foi assassinado no Sideral às 2h.
Ainda às 2h, Márcio dos Santos Rodrigues, foi assassinado no Tapanã. Tinha 22 anos.
Baleado no dia 4, Arlesonvaldo Carvalho Mendes morreu no Metropolitano no dia 6 de novembro. Ele foi baleado no bairro da Terra Firme.
Fonte: Secretaria de Segurança Pública do Pará

(Diário do Pará)

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