A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) informou ontem, por meio de correspondência dirigida à direção do DIÁRIO, que não há, por trás do acordo recentemente firmado pelo governo brasileiro para permitir a exportação de carne bovina in natura para os Estados Unidos, qualquer restrição específica ao produto paraense.
Segundo a Faepa, as especulações levantadas a propósito dos acordos firmados entre os governos brasileiro e norte-americano, nos quais deixou de figurar o Estado do Pará entre as unidades federativas que poderão se habilitar à exportação de carnes, sugerem algum tipo de “restrição” ao nosso produto. Por isso, acrescentou, a federação se apressou em procurar conhecer as possíveis causas da decisão que manteve fechado o mercado norte-americano à entrada da carne produzida no Pará. Para isso, foi enviado um emissário a Brasília, onde faria contatos diretos com as autoridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
PROTOCOLOS
Com base nas informações colhidas junto às fontes mais autorizadas, conforme frisou a Faepa na correspondência, é seu dever informar que a exclusão do Estado se deveu ao fato de os protocolos que embasaram os acordos terem sido iniciados há mais de dez anos, quando o Pará ainda não estava com a certificação internacional de rebanho livre de febre aftosa com vacinação, o que só ocorreu no ano passado.
Constatado o descompasso, houve a recomendação dos técnicos americanos para que não se tentasse, agora, a inclusão do mercado paraense – e de outros na mesma situação – para evitar que se atrasasse a assinatura dos acordos, celebrados durante recente visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos. “Vale salientar, para efeito de precisão no registro histórico”, acrescentou a Faepa, “que os protocolos foram iniciados em 1999, com os primeiros documentos aprovados pelo governo americano entre 2001 e 2002”.
Assinalou ainda a Faepaque a Secretaria de Defesa do Ministério da Agricultura e a Secretaria de Relações Internacionais, de comum acordo com as autoridades norte-americanas, concluíram que, se fosse tentada a modificação dos termos iniciais para efeito de incluir qualquer outro Estado, poderia haver prejuízos para todos, dada a impossibilidade de assinatura dos acordos durante a visita de Dilma Rousseff.
Procurando deixar claro que a medida que prejudicou o Pará é passageira, a direção da Faepa garante que em breve o Pará estará integrado aos demais Estados brasileiros já habilitados à exportação de carne bovina in natura para o mercado americano.
(Diário do Pará)
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