Silvio Santa Brígida, de 48 anos, contraiu leptospirose e passou dois dias internado no Pronto-Socorro do Guamá. Teve alta médica ontem à tarde e foi liberado para retornar à sua casa.
As quase 48 horas que ele passou dentro do PSM foram um martírio. Sem leito, a solução encontrada pelos médicos que o atenderam foi improvisar um no corredor do hospital de urgência e emergência.
A mãe, que o acompanhava, teve de levar, de casa, uma cadeira de praia para ter onde se sentar. Era isso ou ficar no chão imundo, no corredor, ao lado do filho.
O caso de Silvio não é isolado. Como ele, muitos pacientes estão passando pelo mesmo drama no PSM do Guamá. E o que é mais grave: há crianças nas mesmas condições.
O entra e sai no hospital é intenso. A toda hora chegam ambulâncias, algumas vindas do interior do Estado. O acesso ao PSM é liberado somente ao paciente e um acompanhante.
Quem procura o atendimento, é medicado, mesmo que para isso tenha de esperar por horas. Os profissionais que trabalham no hospital também não aguentam mais.
O DIÁRIO teve acesso a um vídeo com duração de 2m50s, enviado por um funcionário do PSM do Guamá. Por medo de ser prejudicado no emprego, ele não quis se identifica. Não é de se estranhar.
As imagens, captadas na madrugada da quinta para a sexta-feira, mostram o cenário de horror que se instalou no hospital, desde que ele passou a ser o único pronto-socorro de Belém e da Região Metropolitana desde o incêndio no PSM do Guamá, há pouco mais de duas semanas.
Idosos, mulheres e crianças lotam os corredores e a recepção do hospital de urgência e emergência. Os pacientes são atendidos de qualquer maneira e internados em espaços inadequados. Os corredores estão abarrotados de macas enferrujadas e doentes gemendo.
Em função da alta demanda, a demora no atendimento é inevitável. Mal dá para transitar nos espaços do PSM.
O vai e vem de médicos e enfermeiros é constante. O atendimento ocorre na medida do possível. No vídeo enviado ao DIÁRIO, o homem que filma exclama, assustado diante do que vê: “Não tem como ficar aqui. Isso aqui tá um inferno. Não tem onde colocar ninguém!”.
Há pacientes no chão do hospital, por falta de leitos, e muitos foram recusados, pois não havia mais condições estruturais para atendê-los. Uma mãe chora por não conseguir acudir o filho: “Pelo amor de Deus, alguém me ajude!”. O rapaz está sentado em uma cadeira, esperando o atendimento que não chega.
“Estamos trabalhando sem a mínima estrutura, só para atender aos pacientes mais graves. Tem gente que passa a noite toda aqui, no chão”, desabafa o funcionário que enviou o vídeo ao jornal. Segundo ele, a situação é a mesma em qualquer horário. Procurada pelo DIÁRIO, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) não se manifestou sobre os problemas relatados no PSM do Guamá.
LEIA MAIS:
Plano de contingência do prefeito ficou só no papel
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar