Tudo começou há mais de uma semana. Na sexta-feira (3), o Governo do Estado anunciou que faria, no domingo (5), serviços de manutenção elétrica na rede do complexo Bolonha.
Com isso, vinte e quatro bairros da Região Metropolitana de Belém (RMB) ficariam sem água. Mas, segundo o próprio Governo, a interrupção no abastecimento duraria apenas algumas horas.
Às 16h do próprio domingo, tudo estaria normalizado. O povo acreditou. Chegou a noite do domingo, e nada. A segunda-feira (6) amanheceu com as casas de 500 mil moradores da RMB ainda sem água. A população começou a demonstrar irritação.
Entrou em cena a Cosanpa, órgão do Governo responsável pelo abastecimento de água no Estado. Sob ordens do governador Simão Jatene, a companhia informou que a água voltaria às torneiras “nas próximas horas”. Ressabiado, o povo ficou com um pé atrás.
Não deu outra. Chegou a terça (7), e a seca em Belém continuava. Os belenenses perderam a paciência. Já eram dois dias sem água. Dois dias sem poder tomar banho direito.
Sem condições de lavar roupas, pratos e até de cozinhar normalmente. E haja dinheiro para comprar garrafões de água mineral.
Desesperados, moradores quebraram tubulações de duas adutoras da Cosanpa: no Utinga e na Cremação. Enquanto isso, o governador fazia o que sabe fazer de melhor em momentos de crise: nada. Jatene sumiu. Até porque, a falta d’água é um problema que nunca o atingiu. No condomínio de luxo em que o governador mora, no bairro do Curió, o líquido está sempre presente.
Na quarta e na quinta, a mesma ladainha. A Cosanpa insistia em dizer que a situação estava normalizada. Pela cidade, porém, o que se via eram cenas de pessoas carregando baldes na cabeça, empurrando carros-de-mão com botijões, donas-de-casa com o tanque lotado de roupas sujas. Na noite da quinta-feira, outro comunicado da equipe de Jatene. “Amanhã, tudo estará normalizado”, garantiu a Cosanpa. Até a noite de ontem, a água não tinha voltado em vários bairros da cidade.
Uma das 500 mil vítimas de Jatene é a aposentada Isabel Araújo, moradora do bairro da Cidade Velha. Na tarde de ontem, sua casa continuava tomada por baldes.
“Isso é uma vergonha!”, disse, indignada. Aos 85 anos, dona Isabel não tem mais idade para esse tipo de contrariedade. “Até passei mal. É triste querer fazer as coisas de casa e não poder. Fiquei nervosa, tentando conseguir água. Foi me dando uns calafrios”.
CLASSE A
A falta d’água também afeta as classes mais abastadas. Até a tarde de ontem, proprietários de estabelecimentos comerciais dos bairros de São Brás e de Fátima ainda estavam penando para conseguir água.
Dono de um restaurante, André Fernandes, 44, disse já ter tido prejuízo de 5 mil reais desde o início da semana. “Sem água, tudo fica complicado. Houve dias em que tive de fechar o restaurante”, declarou.
Já Dulce Costa, 33, é dona de um salão de beleza, e até se preparou para emergências. Há 1 ano, comprou uma caixa d’água para o estabelecimento. Nunca imaginou que ficaria uma semana inteira sem água. “Assim, nem a caixa resolve”, disse.
“Estou no prejuízo”. Mas o Governo afirma que está tudo bem. Ontem à tarde, a Cosanpa informou que a situação estaria normalizada “em até cinco horas”. A cidade espera que, dessa vez, seja verdade.
DIAS DE TRANSTORNOS
Dia 3 (sexta-feira) - A Cosanpa anunciou que, no domingo (5), faria manutenção na parte elétrica da rede do complexo Bolonha. Com isso, 24 bairros da RMB ficariam sem água. O Governo disse que o serviço seria regularizado até as 16h do próprio domingo.
Dia 5 (domingo)
Diferentemente do que foi anunciado, o atendimento não foi normalizado. Consumidores começaram a protestar nas redes sociais. A Cosanpa informou que o atraso se deu por causa da explosão de um dos disjuntores da estação Bolonha e que o serviço seria normalizado “nas próximas horas”.
Dia 6 (segunda)
A Cosanpa estima que 500 mil pessoas haviam sido atingidas pela falta de água e promete, mais uma vez, restabelecer o serviço até as primeiras horas da manhã de terça-feira.
Dia 7 (terça)
A população continua sem água. O Governo admite que o problema é grave, providencia a distribuição de água por meio de carros-pipas. A população enfrenta filas nos depósitos de água mineral, onde o estoque desparece rapidamente. À noite, o serviço começa a ser normalizado. Mas logo a água volta a faltar.
Dia 8 (quarta)
O serviço ainda não foi completamente normalizado. Usuários reclamam que os cortes no abastecimento continuam.
Dia 9 (quinta)
Consumidores de vários bairros ainda reclamam da falta de água. A Cosanpa garante que o serviço está sendo normalizado.
Dia 10 (sexta)
Apesar de a Cosanpa ter anunciado retorno do abastecimento, muitos consumidores ainda reclamavam da falta d’água.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar