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Famílias seguem dias a fio sem abastecimento

Se em Outeiro uma parte da população sofre porque a água encanada não chega em casa, em Marituba, município da Região Metropolitana de Belém (RMB), a reclamação é pela água que, quando tem, é praticamente inutilizável, de tão suja. “Se colocar na panela

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Se em Outeiro uma parte da população sofre porque a água encanada não chega em casa, em Marituba, município da Região Metropolitana de Belém (RMB), a reclamação é pela água que, quando tem, é praticamente inutilizável, de tão suja.

“Se colocar na panela e ferver só ela, a gordura sobe e o fundo da panela fica preto. A gente acaba tendo que comprar água daqueles garrafões de 20 litros para poder cozinhar. E cada garrafão não sai por menos de R$ 4, não é barato, ainda mais com a gente pagando conta de água todo mês”, diz a dona de casa Suziane Barros, de 27 anos.

Na terça, 7, dia em que a reportagem do DIÁRIO visitou o conjunto habitacional Jardim dos Pardais, onde além de Suziane, com marido e filha, moram outras 421 famílias, eles já amargavam cinco dias de torneiras vazias.

Benedita dos Santos, que faz parte da associação de moradores do conjunto, contou que no dia anterior eles haviam feito representação junto à Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) para reclamar da falta.

“Falhar, sempre falhou, desde quando o conjunto foi entregue, há mais de dois anos, mas esse mês está demais. O problema é que nossa água vem do poço do conjunto residencial Mário Couto, e não tá dando conta de mandar água para nós e para os de lá. Tem que ter poço aqui, até pelo número de moradores!”, justifica. “Tem dia que começa a faltar nove da manhã e só volta às dez da noite! É um tal de todo mundo correr para casa de parente ou fazer fila e esperar para conseguir água da caixa d’água do Bairro do Japão, aqui próximo”, conta.

Sem água, moradores têm contas de R$ 116

Durante a ida do DIÁRIO ao conjunto Jardim dos Pardais, em Marituba, a queixa também envolveu o valor da conta de água cobrado mês a mês.

“Tem uma vizinha nossa aqui que viu a conta dela ser R$ 14 num mês e R$ 116 no outro! E faltando água todo dia! Como que explica isso?”, questiona Suziane.

“Vira um Deus nos acuda quando fica mais de um dia sem água porque quase todo mundo aqui tem criança em casa, então na hora de dar banho e dar comida é um trabalho danado. Vou nem te dizer como ficam os banheiros...”, cita, envergonhada.

“Hoje [terça] a água ‘ameaçou’ de voltar e eu corri e botei a máquina de lavar para fora. Não consegui nem encher a máquina de água”, expôs, diante de um tanque cheio de roupa torcida e úmida, à espera da lavagem que não ocorreu.

Procurada pelo DIÁRIO, a Cosanpa diz que o conjunto possui um sistema de abastecimento de água isolado, atendido por dois poços, e que os problemas de abastecimento também estão relacionados a ligações clandestinas na rede de abastecimento de água.

O MP-PA, por sua vez, afirma que a Promotoria de Justiça de Marituba de Meio Ambiente, Urbanismo e Consumidor não havia sido acionada sobre o caso até o fechamento desta edição.

(Diário do Pará)

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