Vivenciando já há 5 dias os problemas observados durante a fiscalização, a doméstica Oswaldina Santos, 49 anos, temia pela saúde do sobrinho de 19 anos. Trazido na última quinta-feira (9) do município de Muaná, na Ilha do Marajó, para o PSM do Guamá, o rapaz só conseguiu ser internado em um leito 4 dias depois, na manhã da segunda-feira (13). “Tá muito lotado aí e a gente não consegue fazer a transferência dele. Meu sobrinho estava jogado em cima de uma maca, no corredor”, preocupava-se, ainda sem um diagnóstico exato para o problema de saúde do rapaz. “Uma hora, eles dizem que é tuberculose, outra dizem que é pneumonia. A médica só disse que os dois pulmões estão comprometidos. O que eu sei é que ele teria de ir pra uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e não tem leito”.
Enquanto o trabalho de fiscalização era realizado pelos cinco membros do Coren, que se dirigiram ao hospital no início da manhã de ontem (14), vários pacientes entravam e saíam insatisfeitos do pronto-socorro. Da entrada frontal, durante os segundos em que a porta era aberta para a passagem das pessoas, a difícil realidade era evidenciada. Desde o início do corredor, pacientes eram vistos tomando soro em meio ao amontoado de acompanhantes que aguardavam em pé.
Com a esposa, Maria Eunice, 54 anos, já liberada pelos médicos, o ambulante Cristóvão Monteiro, 55 anos, ainda não conseguia entender como faria para levá-la para um local especializado para tratar do problema de esquizofrenia. “Ela estava com pressão alta, mas também sofre de esquizofrenia. Ontem à noite, minha mulher deu entrada e controlaram a pressão dela, mas disseram que não podiam ficar com ela no hospital, por causa da esquizofrenia”, ele disse, na saída do PSM, carregando a mulher nos braços. “Eu pedi uma ambulância pra levar minha esposa pra casa, mas me disseram que isso não é trabalho deles. Pra trazer pra cá, eles trazem. Mas pra ir pra casa, a gente tem que se virar”.
(Diário do Pará)
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