Medicamentos fitoterápicos, ervas e remédios controlados costumam ser usados sem prudência para perder peso a qualquer custo. Mas, os especialistas alertam, todo cuidado é pouco para quem quer emagrecer. Cada pessoa deve obedecer a um tipo de dieta, aliada com a prática de exercícios físicos. “A obesidade é uma questão hereditária, que também pode ser adquirida com o passar do tempo e com as condiçõesde cada indivíduo”, destaca o endocrinologista Francisco Pedrosa Gomes, que também é coordenador da Casa do Diabético, em Belém.
Segundo ele, há quatro fatores que levam uma pessoa a ganhar peso em excesso: alimentação desregulada, sedentarismo, condição econômica e situação emocional. Comer muito ou pouco de forma errada e em horários irregulares são exemplos de fatores que levam a pessoa a engordar, tanto quanto não praticar nenhuma atividade física.
A situação financeira do indivíduo também conta. De acordo com o médico, pessoas que têm condição econômica privilegiada vão ao supermercado e enchem o carrinho de doces e pizzas. “Por outro lado, as que têm renda mais baixa consomem muito carboidratos, como pão e farinha, que também engordam”, observa Gomes. Na parte emocional, ele cita o estresse e a depressão como fatores que podem levar à obesidade”.
Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no ano passado, cerca de metade da população brasileira está acima do peso, problema que se associa a outro ainda maior: a busca pelos emagrecedores. Sem prescrição médica, é possível fazer uso destes produtos, pois são comercializados livremente em drogarias, supermercados e até nas feiras de Belém. Essa prática, porém, pode desencadear problemas de saúde.
MEDICAMENTOS
De acordo com a lei, o médico é o único que pode receitar um remédio, pois é tecnicamente capacitado para tanto. “Com o passar do tempo, houve várias modificações na medicina e cada área passou a ser administrada por um profissional”, diz Gomes. “Os remédios podem ajudar no processo de emagrecimento. Mas devem ser passados de acordo com o perfil de cada paciente”.
Para a nutricionista Vanessa Lourenço, especialista em saúde pública, a mudança na rotina é fundamental. “Para emagrecer, o indivíduo deve mudar os hábitos e o estilo de vida”, diz. Segundo ela, emagrecer rápido traz carências ao organismo e pode desencadear gastrite, úlcera e doenças provocadas por dietas pobres em vitaminas, proteínas e carboidratos. “O ideal é perder peso devagar, não 10 quilos por mês, mas, sim meio quilo por semana”. Outro problema é a falta de descanso. Uma boa noite de sono produz o hormônio cortisol, que aumenta o açúcar no sangue, propiciando energia muscular. Quem não dorme, não tem condições de fazer atividades físicas e come para ficar mais enérgico e, dependendo do alimento, não fica. “Ele tem uma sensação de felicidade apenas no primeiro momento”, afirma a nutricionista.
Para ela, não existe uma fórmula mágica, e sim um conjunto de fatores. “Não há nada milagroso, nem dieta ou medicamento. Quando se perde peso rápido, mais rápido se ganha”, explica, acrescentando que a água também é fundamental, pois acelera o metabolismo e deve ser tomada ao longo do dia. “As refeições devem ser feitas entre 2, 3 e até 4 horas, dependendo do perfil e da dieta estabelecida”, ensina.
(Diário do Pará)
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