Com as férias de julho, as crianças da cidade têm mais tempo para brincar em locais públicos. Mas o que poderia ser alegria vira problema. Além da parca quantidade de parques e praças da cidade, muitas crianças esbarram em outra dificuldade: nas poucas áreas de lazer a céu aberto, falta manutenção. Em mutias delas, o cenário é de abandono.
A avenida Marquês de Herval recebeu, em 2011 uma reforma estrutural, que ganhou o título de Via Parque. Entretanto, o parquinho no final da avenida, na esquina do canal da 3 de Maio, já não recebe mais as crianças como antes. Há 20 anos morando na frente do espaço, o técnico em mecânica Rômulo Nascimento, 28 anos, reclama da falta de manutenção nos brinquedos. “Os balanços estão quebrados. Outros estão enferrujados. Não vemos a prefeitura arrumando, restaurando coisa alguma”, diz.
A dona de casa Daniele Alho e Silva, 27 anos, mora na travessa Humaitá, também no bairro da Pedreira. Ela tem uma filha de 3 anos, Maria Sofia, que, neste período de férias da escola, não tem onde brincar, a não ser nos locais públicos. “Todas as manhãs, eu tenho de sair com ela de casa para passear. A preferência geralmente é pelos parquinhos, e por isso, venho para cá”.
RECLAMAÇÃO
Mesmo usando o espaço constantemente, ela reclama que falta mais cuidados com os brinquedos. “Está tudo quebrado. Lixo espalhado por toda parte e não tem um local para nos proteger do sol”, conta. “Quando venho, procuro ficar aqui na casinha, pois é o único local que tem uma proteção”, destaca Daniele.
Há 15 anos, a Praça Dalcídio Jurandir, na travessa Alcindo Cacela, também ganhou um espaço para crianças. Porém, os pais e responsáveis evitam frequentar o local. Todos têm a mesma reclamação: a praça está abandonada. Denalinne Melo mora, há 10 anos, nas proximidades do lugar e lamenta a situação. “As crianças não podem brincar, pois os brinquedos estão quebrados. Além disso, aqui é cheio de usuários de drogas e tem muito assalto”.
Na Praça Bruno de Menezes, localizada atrás do Terminal Rodoviário de Belém, em São Brás, só restaram as estruturas dos balanços e escorregadores. O espaço que era usado para receber crianças que brincavam nas gangorras, nos dados e coretos, hoje é tomado por mato e lixo.
Na praça, também tem uma quadra de esportes, que permanece com as grades de proteção quebradas, sem as redes da trave e com pouca iluminação. “Do jeito que está, não podemos levar as crianças e nem mesmo ficar por muito tempo na praça”, lamenta o autônomo Thiago Lima, 19 anos, morador do bairro. A reportagem fez contato com as Secretaria Municipais de Urbanismo (Seurb) e de Saneamento (Sesan), mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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