A violência em Belém rompeu as fronteiras da imprensa local e ganhou destaque na revista GQ inglesa, uma das mais conceituadas do mundo. A matéria, divulgada no último dia 14, no portal da GQ, destaca as manchetes noticiadas no caderno Polícia do DIÁRIO DO PARÁ, assinadas pelo jornalista J.R. Avelar. No texto do repórter Douglas Bruce, Avelar é a principal fonte, e descreve o cotidiano do crime na capital paraense, assim como os desafios das investigações.
Com o título “A história dos policiais matadores do Brasil”, a reportagem retrata as características dos homicídios de criminosos, policiais e dos indivíduos comuns. A matéria compara a violência em Belém com os maiores centros urbanos do país: as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Indo além, destaca os números nacionais. “O assassinato é uma das indústrias no Brasil. Mais de 53 mil brasileiros morreram em 2013: um a cada 10 minutos. Mais pessoas foram mortas nos últimos 4 anos do que na guerra civil na Síria”, destaca a matéria.
A Região Metropolitana de Belém também foi lembrada internacionalmente por ser palco de cinco massacres, com vítimas jovens, negras e da periferia, nos últimos cinco anos. Em todos os casos, com possibilidades de envolvimento de homens da Polícia Militar na ativa ou de ex-policiais. O texto lembra que todos os episódios foram manchetes do DIÁRIO DO PARÁ, entre as quais a principal foi assinada por J.R. Avelar.
Bruce usa como principal destaque o episódio do dia 4 de novembro de 2014. Uma noite que entrou na história e ficou conhecida como ‘chacina do Guamá e Terra Firme’. O acontecimento, que em seu curso registrou oficialmente 13 óbitos nos bairros de Belém e região metropolitana, foi o principal motivo da vinda do jornalista britânico ao Brasil. Após as imagens dos homicídios ganharem repercussão na imprensa internacional, a revista GQ passou a acompanhar os relatos do DIÁRIO. Duas semanas depois, mandou o correspondente a Belém.
PRIMEIRO CONTATO
No princípio da apuração, Bruce procurou as fontes oficiais. Visitou os órgãos de segurança pública e as delegacias, onde foi informado sobre o seu principal personagem: J.R. Avelar. Foi em uma sexta-feira, debaixo de uma mangueira, dentro de uma viatura da polícia, na frente da Divisão de Homicídios, em Nazaré, o primeiro encontro entre o jornalista inglês e J.R. Avelar. “Dei alguns contatos a ele e o levei para me acompanhar em duas sextas-feiras e dois sábados de madrugada, no meu trabalho. Ele ficou chocado”, conta Avelar, que, na reportagem da GQ, foi descrito como o jornalista que atua há três décadas na ‘batida do crime’, tempo que cultivou uma extensa rede de contatos com a polícia.Além das histórias vivenciadas por Avelar, sua proximidade com os policiais e suas investigações, chamaram a atenção de Bruce as fotos de crimes que o repórter do DIÁRIO recebe no seu celular, enviadas por agentes da polícia.
Aos 53 anos e nascido em Cachoeira do Arari, no Marajó, Avelar começou sua carreira no rádio, passando por TV e impresso. Na reportagem da GQ, ele é descrito como “um homem baixo, magro, com barba e óculos aviador”. E completa: “Avelar se veste de preto, com calças de combate e uma camisa com o seu nome, com costura amarela acima do bolso do peito esquerdo”. A dedicação de Avelar ao trabalho levou o seu nome e o do DIÁRIO ao site de uma das maiores revistas do mundo.
Cotidiano brutal estampado fora do País
Com ajuda de Avelar, o jornalista Douglas Bruce foi à casa dos familiares de Eduardo Chagas, de 16 anos, uma das nove vítimas da chacina de novembro. As ruas estreitas, com fios elétricos suspensos, e a impotência dos parentes de Eduardo foram emoldurando com a realidade das famílias que perderam os seus entes naquela noite, no bairro da Terra Firme. Crimes que ocorreram após a morte do cabo da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), Antônio Figueiredo, de 43 anos, conhecido como ‘Pet’, no bairro do Guamá. “Eu o levei às famílias. Mostrei os locais e expliquei como tudo aconteceu”, contou Avelar.
Percebendo o sentimento de injustiça, vivido pelas famílias das pessoas que morreram no episódio, o jornalista britânico ressaltou que os brasileiros têm um baixo nível de confiança em suas polícias e que a confiança é ainda menor na Justiça. Em sua matéria, o repórter da GQ conta o que viu num necrotério do Instituto Médico Legal (IML). Contou que, naquela noite, havia mais corpos do que o apontado oficialmente pelo Estado. Para Avelar, mesmo Belém tendo um índice alarmante de homicídios, a realidade é ainda pior. “Meus números divergem dos do Governo. Tenho fonte em vários locais do Pará. Eles me mandam fotos, os depoimentos. Eu publico”, completou Avelar. A relação entre Douglas Bruce e J.R. Avelar durou breves 15 dias, tempo que o inglês ficou no Pará. Mas foi o suficiente para que ele dedicasse boa parte da sua reportagem à atuação do jornalista do DIÁRIO como repórter policial.
(Diário do Pará)
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