Sala, dois quartos, um banheiro, cozinha, área de serviço e espaço para churrasco. Sem falar que na hora do descanso, dá para armar uma rede no pátio e se embalar. Porém, a casa de 90 m² permanece há quase um mês à espera de alguém para alugá-la. O antigo morador teve de deixar o imóvel por não ter condições de pagar o aluguel, que custa R$1.300.
A casa fica na travessa Pirajá, a 50 metros de uma das principais vias de acesso ao centro de Belém, a avenida Almirante Barroso. Na mesma rua, outros três imóveis estão na mesma situação. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) Pará/ Amapá, Jaci Colares, é hora de os proprietários baixarem os preços dos aluguéis. Caso contrário, os imóveis ficarão à espera de inquilinos. “Essa é a melhor oportunidade para as pessoas alugarem. O setor imobiliário tem altos e baixos’’, pontua Colares.
Para que o imóvel não permaneça por mais tempo inabitado, a proprietária da casa da travessa Pirajá, Sandra Begot, 48, decidiu alugar até para empresas. Caso o interessado queira negociar, ela se propõe a reduzir o valor do aluguel. “Esse mês está difícil. Mas, se uma empresa quiser, dá para fica lá. Um consultório odontológico, oftalmológico. Os quartos são grandes. A sala também. Se for para moradia, até R$ 1.200 a gente aluga’’.
Só em Belém e Região Metropolitana, o Creci estima que cerca de 3 mil imóveis estão disponíveis para aluguel. Os motivos seriam a crise econômica e a redução de 80% para 50% de crédito oferecido pela Caixa Econômica Federal, para quem quer comprar a casa própria.
NEGOCIAÇÃO
Ao avaliar a localidade e as informações referentes ao imóvel de Sandra, Jaci acredita que há possibilidade de negociar o aluguel entre R$ 1.000 e R$ 1.200. Encaixa melhor no bolso. “Quem não reduz o preço, não aluga. Passa 2, 3 meses para alugar e vai tendo prejuízo”, diz. Segundo ele, no atual momento, é melhor alugar por um preço menor do que ficar com o imóvel vazio. “Se você está pedindo R$1.500 e não aluga, abaixa para R$ 1.200’’.
O presidente do Creci destaca que os bairros de Batista Campos, Umarizal, Pedreira, Marco, Marambaia e Ananindeua concentram a maior parcela de propriedades para alugar. A equipe do DIÁRIO percorreu outros pontos de Belém. Ainda no mesmo bairro, o do Marco, na Almirante Barroso, entre Lomas Valentinas e Angustura, três apartamentos têm placas de “aluga-se’’. No bairro da Pedreira, na travessa Angustura, entre as avenidas Duque de Caixas e Visconde de Inhaúma, três casas e um imóvel com kit-nets aguardam interessados.
Na avenida Presidente Vargas, bairro da Campina, banners colocados nas sacadas de três apartamentos do prédio do Palácio do Rádio, informam o número de contato para aluguel dos imóveis. O corretor de imóveis, Odemar Pinheiro, 56 anos, procura por interessados em uma casa na Cidade Nova 5, de dois andares, garagem, sala de estar, sala de jantar, cozinha, closet, banheiro social, área de serviço, três quatros, sendo um com suíte e closet.
Ele conta que os primeiros anúncios pediam R$ 1.400. Não houve interessados. O jeito foi baixar para R$ 1.300 e até R$ 1.200. “Recebi varias ligações, mas sempre tem choro. O proprietário pediu R$ 1.400. Eu disse para ele que ninguém ligaria. Hoje o aluguel está difícil. Não sei o que está acontecendo. Antes a gente pegava um imóvel, dentro de três, quatro dias, alugava. Esse já tem uns 20 dias e nada’’.
(Diário do Pará)
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