Tarefa difícil é também quebrar o preconceito contra a adoção por parte de gays, lésbicas, bisexuais e travestis, que já têm uma série de direitos reconhecidos legalmente, mas ainda lutam contra a oposição de muita gente.
Esse foi um dos temas da Pesquisa “Sim, quero ser pai: Significados da paternidade para homens homossexuais de Ulianópolis-PA”, do professor da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Pará (FFTO/UFPA), Evanildo Lopes Monteiro. “Eles eram enfáticos em afirmar que haveria um momento em que precisariam conversar abertamente com os filhos sobre sua orientação sexual, mas precisariam avaliar qual seria o momento ideal para esta conversa. Por isso, temiam que os filhos pudessem descobrir que o pai era homossexual antes que este momento pudesse acontecer”, esclarece Lopes.
O pesquisador lista os motivos para os medos: que os filhos ouvissem piadas dos amigos na escola ou percebessem que vinham de uma família diferente das outras. “O medo era de que fossem rejeitados pelos filhos ou que ‘ter um pai homossexual’ pudesse levar as crianças e adolescentes a desenvolver comportamentos rebeldes”, disse Lopes em entrevista ao site da Universidade Federal do Pará.
OUTROS SIGNIFICADOS
O pesquisador diz que os entre os entrevistados ficou evidente a vontade de “resignificar” a relação pais e filhos. “Entre os entrevistados, há um histórico de relacionamentos ruins com os pais. Pais que foram ausentes ou distantes. Eles buscam ‘um dia ser para este filho o que não tiveram na própria infância’”.
Outro receio dos jovens era quanto à reação dos filhos em relação à sexualidade do pai e/ou a formação familiar em que cresceriam.
“Para eles, o homem é o que cuida, que protege, guia, orienta e contribui para proporcionar a cidadania a essas crianças. Todos defendiam que a figura de afeto, acolhimento, cuidado e proteção do pai não é incompatível com sua orientação sexual”, aponta Evanildo Lopes Monteiro.
(Diário do Pará)
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