Aos 80 anos, Oswaldo Lira consome pimenta todos os dias, tanto no almoço quanto no jantar. Ele faz questão de preparar o próprio molho de pimenta-de-cheiro com tucupi. Já a malagueta é feita só no óleo ou batida no liquidificador. O feirante, que trabalha desde 1952 no Ver-o-Peso, recorda que iniciou a atividade na feira com uma barraca somente para comercializar esses dois famosos tipos de pimenta.
Mesmo com a idade já avançada, Oswaldo continua mantendo a rotina diária iniciada na época em que era mais jovem: todos os dias ele acorda por volta das 2h para estar no trabalho entre 3h e 4h. Engana-se quem imagina que o feirante considera o trabalho exaustivo. Com a saúde em dia, a atividade é exercida por ele com prazer.
As diferenças entre as duas pimentas vão desde o cheiro, a cor, até o formato. Na barraca de Oswaldo, o litro de pimenta-de-cheiro custa R$ 10. O mesmo ocorre com a pimenta malagueta. Mas, na verdade, quem escolhe como quer a pimenta, se já misturada com o tucupi ou a natural, é o freguês. “As pessoas se admiram por eu não ter nenhuma doença e também pelo horário que venho trabalhar. Além de ser boa para a saúde, qualquer uma das duas servem para dar mais sabor à comida, seja um peixe de caldeirada ou um tacacá”, garante.
O idoso se enquadra no resultado de uma pesquisa divulgada na semana passada pela BBC Brasil. A reportagem informou que pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Médicas, Lu Qi e Nita Forouhi, realizaram um estudo onde analisaram a relação do consumo de comidas apimentadas e da pimenta malagueta fresca com a diminuição do risco de morte. Eles examinaram a dieta de quase 500 mil pessoas na China durante sete anos e observaram que quem consumia comida picante uma ou duas vezes por semana apresentou redução de 10% no risco de morte comparado com os que consumiam menos de uma vez por semana.
O risco foi reduzido em 14% entre aqueles que ingeriam a comida de três e sete dias por semana e os cientistas notaram que o principal componente ativo da pimenta, a capsaicina, já tinha sido apontado como antioxidante e anti-inflamatório. A pesquisa foi publicada pela revista especializada BMJ. O estudo envolveu pessoas de dez regiões geográficas diferentes da China, com idades entre 35 e 79 anos.
SEM DOENÇAS
Mais análises mostraram que os que consumiram a pimenta apresentavam uma tendência a menor risco de morte causada por câncer, diabetes, doenças respiratórias e doenças cardíacas isquêmicas. Segundo o autor do estudo, Lu Qi, professor associado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard, ainda são necessárias mais pesquisas para comprovar o efeito protetor da pimenta.
Amante de pimenta, a enfermeira Socorro Nunes, 49, contou que cultiva pimenta-de-cheiro em sua casa, em Belém, e come a pimenta todos os dias e com qualquer tipo de comida, seja carne, frango, peixe. Apesar de não ter conhecimento sobre possíveis efeitos benéficos da pimenta para a saúde, ela diz que sente muito bem. “Faço a de cheiro com molho de tucupi, tempero e bato a pimenta no liquidificador para ficar bem cremoso, depois misturo e deixo apurar. Mas também gosto da malagueta. Já ouvi falar que é cicatrizante”, disse.
(Diário do Pará)
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