A luta pelo reconhecimento profissional ainda é uma conquista distante para as mulheres que atuam na área da construção civil no Pará. Mesmo quando o mercado ficou superaquecido, até dois anos atrás, elas não chegaram a 10% nos canteiros de obras para um universo de cerca de 25 mil homens. O aumento de 15% das vagas nas obras às trabalhadoras, assim como a classificação profissional, são as principais reivindicações das operárias entre as propostas da convenção coletiva que o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Belém e Ananindeua (STICMB/PA) tenta negociar com a patronal neste mês.
Em obras com 230 homens, há, em média, 12 mulheres, muitas das quais trabalhando como jauzeiras (jaú é o andaime usado para rebocos na parte exterior dos prédios), função considerada entre as mais perigosas da construção civil. O jaú não é o único espaço de atuação feminina na construção. Elas estão principalmente no acabamento da obra, pintando ou revestindo paredes, onde fazem o trabalho com muito mais detalhamento do que os homens. A qualidade aplicada nos canteiros de obras, no entanto, não se reverte em compensação salarial.
SALÁRIOS MENORES
Segundo o sindicato, o maior problema enfrentado atualmente pelas mulheres da construção é que elas entram e saem serventes, sem direito a aumento na remuneração. Função destinada a iniciantes, o servente é o “faz tudo da obra”, o que auxilia nas atividades de rotina do canteiro.
O salário bruto pago aos homens é, em média, de R$1.146, enquanto as mulheres ganham somente R$828. “A gente faz o mesmo trabalho de um pedreiro, mas nunca conseguimos ganhar o mesmo que ele”, diz a conselheira fiscal do STCMB, Lilian Santos. A sindicalista é operária há 5 anos e continua como servente. O mesmo ocorre com a colega de sindicato, Darcilira Botelho, servente há 2 anos.
“O preconceito de gênero ainda predomina nesse setor. O patrão costuma dizer que vai pagar a nossa produção, mas sempre deixa para depois”, destaca Darcilira. “O chefe diz que a gente até trabalha bem. Mas a oportunidade só vem mesmo para os homens”, reclama. O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon), para comentar as declarações do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Belém e Ananindeua, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
ENTENDA
DOIS MUNDOS
25 mil operários trabalham hoje nas obras da construção civil de Belém e Ananindeua
10% desse contigente de trabalhadores, apenas, é o maior percentual já atingido até o momento pelas mulheres que atuam no ramo da construção civil no Pará
15% de aumento nas vagas oferecidas hoje para mulheres é o que reivindica o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Belém e Ananindeua
DISPARIDADES
R$ 1.146 é a média do salário bruto pago aos homens que começam no setor, na função de servente de pedreiro
R$ 828 é o valor pago, em média, para as operárias que fazem o mesmo serviço nas obras
(Diário do Pará)
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