Se o próprio governador não oferece segurança para nós, como é que eu vou garantir a segurança dos meus hospedes?”. Esse foi o questionamento e desabafo de Valdira Miranda, 58 anos, proprietária de um hotel no bairro da Campina, frequentado por turistas. Muitos são estrangeiros e que acabam se deparando com um dos maiores problemas enfrentados pelo povo paraense: a insegurança.
A universitária Manoela Boulhosa, 29, tem em mãos a prova da falta de segurança. Na madrugada de terça-feira (11), ela filmou a ação de um bandido. Com o propósito de denunciar a insegurança vivida por moradores e comerciantes do bairro, Manoela enviou o vídeo, gravado da janela da sua casa com um celular, para a produção do DIÁRIO. As cenas mostram um homem de bermuda e sem camisa tentando por diversas vezes entrar em um restaurante localizado na travessa Padre Eutíquio, entre as travessas Riachuelo e General Gurjão.
No primeiro instante, o suspeito se pendura em um objeto com o intuito de quebrar a grade do estabelecimento, mas a tentativa não dá certo. Ele parece desistir. Segundos depois, o mesmo homem retorna, dessa vez com uma camisa nas mãos, possivelmente para facilitar a ação. Mas novamente ele não consegue. Obstinado, o suspeito tenta pela terceira e última vez, mas a ação é interrompida pelo barulho provocado pela moradora, que assusta o arrombador e ele vai embora.
>> Veja vídeo de assaltante tentando arrombar loja no bairro da Campina
FALTA POLÍCIA
Testemunha desse e outros casos, a universitária diz que assaltos e arrombamentos sofridos por moradores e comerciantes do bairro são comuns. “O restaurante só não foi realmente arrombado porque vimos um carro parando e pensamos que fosse a polícia. Por isso abrimos a porta e o arrombador acabou se assustando e fugiu”, descreve. “Semana passada, fui testemunha do arrombamento que teve em uma loja ao lado de casa. Fomos fazer a ocorrência na delegacia de São Brás e relatamos a ausência da polícia nas ruas. Eles prometeram fazer rondas mais frequentes, mas até agora não vimos nada”, garante.
A equipe de reportagem do DIÁRIO tentou falar com os proprietários do restaurante, mas o estabelecimento estava fechado. Além de relatar os problemas enfrentados pelos vizinhos, Manoela Boulhosa mostra pedaços de grade serrada, durante a madrugada, do ponto comercial que fica no térreo de sua residência. “Já por volta das 22h, a rua já começa a ficar deserta. Eles aproveitam a madrugada para tentar arrombar. Esse pedaço de grade foi serrado durante a madrugada”, garante. “Está muito perigoso viver aqui”, completa, com indignação.
É difícil encontrar na rua uma janela ou porta sem grade, o que para a maioria tornou-se o único meio de proteção. Moradora há 25 anos do bairro, Valdira garante que este é o pior momento vivido por ela na Campina. “Antigamente, tínhamos a liberdade e tranquilidade de sair e voltar para casa em paz, hoje você não pode ir ao supermercado da esquina que corre o risco de ser assaltada”, lamenta.
Com um alto investimento em sistema de segurança com câmeras, alarmes, grades e vigias durante a noite, a proprietária do hotel se entristece com a situação, o que amedronta e afasta ainda mais os turistas que vêm conhecer a capital paraense. “Eles chegam perguntando como é a segurança. O que eu posso dizer? Infelizmente, não temos segurança na nossa cidade, que é tão bonita está completamente abandonada, tanto pelo prefeito quanto pelo governador”, finaliza.
(Diário do Pará)
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