A dirigente da associação revela que, no dia 4 de julho, menos de 10 dias depois do incêndio no PSM Mário Pinotti, um paciente de 23 anos com leptospirose em estágio avançado entrou no único elevador em funcionamento na 14 de Março. Estava sendo encaminhado para uma UTI adulta em outro andar na unidade, mas o pior aconteceu.
“Logo depois que ele entrou, o elevador parou de funcionar e ficou assim por quase meia hora. Nesse ínterim, o oxigênio acabou e o paciente ficou todo esse período sem ventilação. Teve uma parada cardíaca e saiu do elevador quase morto. Conseguiram uma reanimação, mas ele morreu poucas horas depois”, relata Rosana. Segundo ela, o paciente era parente de uma servidora e diz que só não denunciou o fato à imprensa porque só soube dias depois do ocorrido. “Essa é apenas uma das muitas tragédias que ocorrem nos PSMs da capital e que não chegam à opinião pública.”
Regina Célia Martins, funcionária do HPSM do Guamá diz que no único elevador em funcionamento na unidade são transportados alimentos dos pacientes, o lixo produzido nas unidades, material de limpeza e pacientes em óbito. “Já denunciamos isso inúmeras vezes ao longo dos anos. O risco de contaminação dos pacientes e dos trabalhadores é muito alto”, declara. A servidora denunciou ainda o sucateamento das instalações de oxigênio da unidade do Guamá. “Muitas vezes, não há como sequer conectar o oxigênio no paciente, que tem o seu quadro de saúde agravado e muitas vezes acaba indo a óbito. E nós ficamos frustrados por saber que muito ainda poderia ter sido feito pelos doentes”.
A falta de higiene é corriqueira no hospital. Caso os familiares não tragam lençóis de casa, correm o risco de ver os pacientes terem seu quadro agravado. “Não deixam lençóis disponíveis para a troca à noite. Muitas vezes, os drenos vazam e a secreção acaba caindo no lençol. Tem os pacientes mais graves que defecam na cama mesmo e passam a noite inteira assim. O risco de contaminação é altíssimo”, assinala.
(Diário do Pará)
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