Socorro Machado, 53 anos, uma das fonoaudiólogas que atuam no Instituto Felipe Smaldone – referência na educação de crianças e adolescentes surdos -, também aponta a necessidade de acompanhamento multidisciplinar para as crianças que recebem o implante. Ela compara a evolução da audição, após a cirurgia, ao aprendizado gradual de um bebê. Principalmente, nos casos em que a pessoa sempre teve a audição comprometida. “É como uma criança, no sentido auditivo, que está começando a desenvolver as habilidades e a reconhecer os sons”.
Paralelamente ao trabalho de reabilitação fonoaudiológica, o acompanhamento psicológico e pedagógico também é fundamental para o desenvolvimento da oralidade após a colocação da prótese. Apesar de possuir uma atuação mais voltada ao atendimento de crianças com surdez, o instituto tem recebido uma demanda de crianças que receberam o implante e sentem a necessidade do acompanhamento especializado. “O implante não é como mágica, que vai fazer com que, de repente, a criança esteja ouvindo e reconhecendo tudo. É como se fosse um ouvido novo que precisa ser trabalhado”, diz.
COMEMORAÇÃO
Até que o ouvido de Gabriele Silva, 7 anos (foto maior), percebesse pela primeira vez o som do latido da sua cachorra preferida, foram necessários 5 anos. Surda desde o nascimento, a criança despertou para os ruídos do ambiente também a partir do implante. Apesar do desenvolvimento gradativo e um pouco mais demorado da oralidade, o fato de Gabriele hoje já conseguir pronunciar as palavras ‘papai’ e ‘mamãe’ já é motivo mais que suficiente para comemoração. “Minha filha não falava nada porque não ouvia nada. Diante disso, foi um avanço muito grande”, conta, emocionada, a dona de casa Gaciele Silva, 32, mãe da menina.
Ainda no carro, a caminho de casa logo após a ativação do aparelho, Gabriele deu início aos questionamentos que lhe acompanham até hoje e que são responsáveis pelo seu desenvolvimento. Atualmente, ela já consegue estudar em escolas regulares ao lado de outras crianças ouvintes. “Quando chegou em casa, o que a chamou a atenção foi o latido do cachorro. Ela logo perguntou o que era”, conta. “Sempre tentamos explicar com calma. Tudo é muito novo para ela”, diz.
(Diáro do Pará)
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