Depois de ter escapado de um assalto, a comerciária Márcia Nunes, 45 anos, se viu obrigada a adotar uma medida de segurança: retorna do trabalho para casa de táxi todos os dias, no período da noite. Moradora do bairro de Batista Campos há 25 anos, Márcia mudou de endereço há 3 meses.
O episódio vivido por ela ocorreu há cerca de 1 mês. Ao descer de um ônibus em uma parada próxima de sua residência, na Rua dos Mundurucus, três jovens se aproximaram e, quando percebeu que seria assaltada, ela subiu em outro ônibus que estava passando. Após o susto, a moradora precisou pegar outro coletivo para voltar.
Somente neste período, as duas filhas da comerciária, uma de 19 anos e a mais velha de 23 anos, foram assaltadas pelo menos uma vez naquele perímetro. Apesar de haver uma escola e uma faculdade naquela via, Márcia diz que raramente há policiamento ali. “Os alunos dessa faculdade são assaltados o tempo todo. Minha filha mais velha estuda lá e sai da aula correndo para casa”, afirma.
Os relatos de ocorrências de crimes que assolam os bairros considerados nobres de Belém não param por aí. Na noite da última quinta-feira, o oftalmologista Francisco Boulhosa, 34, sofreu um sequestro-relâmpago, quando estava dentro de seu veículo, na Avenida Braz de Aguiar com a Serzedelo Corrêa, em Nazaré. A vítima foi abordada por três assaltantes e ameaçada por um deles, com um revólver.
A reportagem do DIÁRIO esteve naquele trecho para conhecer a rotina da população, já que se trata de uma avenida tradicional, conhecida por seus inúmeros estabelecimentos comerciais. A vendedora Bianca Alves, 26 anos, trabalha das 14h às 20h, em uma das lojas e diz que os lojistas costumam fechar sempre no mesmo horário, para irem embora em grupos.
Segundo ela, os clientes têm medo de assaltos e, por isso, contam com o apoio dos flanelinhas que atuam naquela área para fazer uma “segurança”. Bianca conta que viaturas policiais apenas passam por ali durante o dia. “À noite, a rua fica totalmente deserta”, diz. As lojas permanecem com as portas trancadas à chave. O retorno para casa também não é tarefa simples.
A vendedora sai acompanhada de colegas de trabalho, até uma parada de ônibus, na Avenida Nazaré. Ela diz que o trajeto é perigoso e o ponto não tem iluminação. “As lojas da Braz são de alto padrão. Os criminosos sabem disso. As pessoas que moram e circulam por aqui têm dinheiro”.
Insegurança não é só "sensação".
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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