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Insegurança não é só "sensação"

O farmacêutico Ewerton Menezes, 31 anos, trabalha em um laboratório na Avenida Braz de Aguiar há 5 anos. Ele afirma ter presenciado vários assaltos e viu até lojas serem invadidas. Assustado com tanta insegurança, diz que faz o trajeto da saída do trabalh

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O farmacêutico Ewerton Menezes, 31 anos, trabalha em um laboratório na Avenida Braz de Aguiar há 5 anos. Ele afirma ter presenciado vários assaltos e viu até lojas serem invadidas. Assustado com tanta insegurança, diz que faz o trajeto da saída do trabalho até o seu veículo “correndo”. “Estou com vontade de ir embora de Belém, porque os próprios policiais reconhecem que os bandidos estão em maioria”, garante.

A situação não é diferente no Umarizal. Morador do bairro, o funcionário público Haroldo Carmo, 57 anos, diz que os assaltos são constantes. Ele, que reside em uma casa na Travessa 14 de Março, contou que tem uma sobrinha de 15 anos que já foi assaltada naquela via duas vezes apenas este ano. Para ele, não interessa se a pessoa mora em prédio ou residência, “todos ficam trancados dentro de casa”.

FALTA EFETIVO

Para o especialista em segurança pública, o advogado e sociólogo Henrique Sauma, o grande problema é a inexistência de segurança pública no Estado. Ele diz que há somente uma tentativa do governo de ocupar os espaços através do uso de forças policiais civis e militares.

Entretanto, não há efetivo suficiente, não há orçamento e, além disso, os policiais têm lutado por melhorias nas condições de trabalho, pelo Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR), por valorização e não simplesmente por um reajuste salarial. Segundo Sauma, o tipo de crime que mais se destaca nas áreas nobres é o de patrimônio, que engloba furtos, roubos, sequestros, extorsão, entre outros.

Apesar da facilidade maior de se deslocar uma viatura, em um tempo mais curto, para atender uma área considerada nobre, os criminosos acreditam que compensa o risco, devido a possibilidade de um ganho maior. E, além disso, eles sabem que o efetivo policial não é suficiente. Por isso, Sauma afirma que fazer concursos não vai resolver o problema enquanto forem pagos baixos salários à polícia e não for oferecida a estrutura adequada para o exercício da profissão.

Apesar das mazelas, Sauma considera a polícia do Estado como uma das melhores do país, justamente por conseguir resolver crimes mesmo sem nenhum investimento. “Prende-se muita gente. Mas as penitenciárias estão lotadas. Para onde vão essas pessoas? A insegurança não é sensação, é real. Existem muitas coisas interligadas. Se a cidade estiver bem iluminada, se houver monitoramento por câmeras e efetivo policial, a população se sentirá mais segura”, finaliza o especialista.

(Diário do Pará)

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