As fotos da comemoração da aprovação no vestibular são a maior representação da expectativa por uma transformação na vida. Cumprindo pena no regime fechado há 5 anos, Ledimilton Rodrigues e Silva, 35, conquistou uma vaga no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), no início deste ano. Porém, desde então, vive cada dia sem saber se poderá dar andamento ao projeto de cursar uma faculdade.
Vencido o desafio de iniciar e concluir o ensino médio já dentro do cárcere, além da concorrência de outros candidatos que também se prepararam para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Ledimilton viu seu sonho mais distante. Logo depois da alegria de ter sido levado para se matricular no IFPA, ele soube que dependeria de uma decisão judicial para ser autorizado a frequentar as aulas.
NOVA CHANCE
Confiante de que o filho já não é mais o mesmo de quando foi preso em 2010, a autônoma Ana Lúcia Ribeiro Rodrigues, 55 anos, espera que seja dada a Ledimilton apenas uma oportunidade: “Ele não é mais a mesma pessoa que a polícia pegou, ele caiu na real. Se uma pessoa decide trocar a arma pelos livros, porque não dar essa oportunidade?”.
Assim que anunciada a aprovação possibilitada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ainda em março desde ano, um processo foi iniciado na Justiça do Estado do Pará pedindo que o interno seja autorizado pelas autoridades a frequentar as aulas.
Sem que uma resposta tenha sido dada ao caso até hoje, mais de 100 dias após o início das aulas, Ana Lúcia teme que o filho seja impedido de dar andamento aos estudos no IFPA. “O juiz não se manifestou sobre o caso dele ainda, mas já se manifestou sobre o caso de outro e negou o pedido”, lamenta a mãe de Ledimilton.
De quatro pedidos feitos, apenas um foi acatado
Segundo a mãe de Ledimilton, outros quatro internos conquistaram vagas em cursos de nível superior, mas apenas um teria sido autorizado a cursar até o momento, já que se trata de um curso a distância. Com mais três anos de pena a cumprir, Ledimilton passou para o curso de Saneamento Ambiental. Para que o esforço do filho não seja em vão, Ana Lúcia só pede que o caso seja analisado levando em consideração a mudança que ela acredita ter sido vivenciada pelo filho.
“A gente sabe que tem o recurso da tornozeleira eletrônica e outras formas de o meu filho ser vigiado. O histórico dele é de bom comportamento. Por que não liberam primeiro por um semestre para ver como ele se sai?”.
Tentando fazer um apelo à Justiça, a expectativa dela e do filho é de que ele possa deixar a cadeia com um curso superior concluído. “A pessoa não nasce ladra. A cadeia não é para ressocializar? Então, por que não dar essa oportunidade?”. Procurado pelo DIÁRIO, o TJ ainda não se pronunciou sobre o caso de Ledimilton.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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