A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) já confirmou quatro mortes por dengue no Pará, somente este ano, sendo duas em Belém, uma em Rurópolis e a outra em Altamira. O número de casos da doença também subiu em relação ao mesmo período do ano passado. Até agora são 3.541 registros, enquanto que em 2015 foram contabilizadas 2.483 ocorrências até o dia 17 de agosto. Ou seja, aproximadamente 15 novos casos são notificados por dia nos oito primeiros meses do ano. Na capital, são 5 ocorrências a cada 24 horas.
De acordo com o Informe Epidemiológico da Sespa, divulgado na última terça-feira, Belém lidera o número de casos entre os municípios que apresentaram uma maior incidência da enfermidade neste ano. São 990 no total. Os demais são Parauapebas (320), Altamira (247), Senador José Porfírio (183), Canaã dos Carajás (126) e Alenquer (108).
Com lixo espalhado em diversos cantos da cidade, especialmente no entorno de alguns canais, não fica difícil entender o porquê de a capital paraense ser responsável pelo registro de quase mil casos de dengue. Quem reside ou trabalha próximo a esses locais se sente constantemente ameaçado pela doença.
Esta situação pode ser observada, por exemplo, na travessa Água Cristal, na Marambaia. Uma parte da via está ocupada por lixo doméstico, entulhos e até pneus de automóveis. Mas a sujeira também está presente ao redor do canal que corta a via. Para os moradores, essa combinação de lixo, mato e falta de saneamento atrai não só uma enorme quantidade de mosquitos para dentro das casas, como também outros animais, como baratas e ratos.
A dona de casa Maria da Conceição Costa, 48, que reside na passagem São Jorge, bem próximo ao canal, teme pela saúde da filha de cinco anos. O local não possui asfalto nem saneamento e, segundo a moradora, a situação piora com as chuvas, pois a passagem alaga. “Aparece tanto inseto que não dá nem para imaginar. Os próprios moradores jogam lixo aí”, ressalta.
Ruas da cidade tomadas por lixo facilitam o desenvolvimento do mosquito:
Conjunto não vê coleta de lixo há duas semanas
A autônoma Cristina Pompeu, 49, já contraiu a doença por quatro vezes. A última foi em 2008, quando ela teve uma dengue hemorrágica que quase a matou. Cristina, que é moradora do conjunto Promorar, em Val-de-Cans, conta que, depois que se mudou da rua onde morou até um ano meio atrás, nunca mais adoeceu.
No antigo endereço de Cristina, na quadra 40, havia muito lixo, água empoçada e mato. Segundo ela, além de a população colaborar jogando lixo em via pública, o poder público municipal também tem sua parcela de culpa devido à falta de saneamento adequado. “Tem lixões em vários locais aqui no bairro. Acredito que isso tenha me levado a ter a doença tantas vezes”, acrescenta.
Ainda naquele conjunto, um lixão a céu aberto ocupando o canteiro central da via incomoda moradores e comerciantes da avenida Rio Ceará-Amazonas. restos de materiais orgânicos, água empoçada, entulhos por toda parte e um mau cheiro forte exala no local. Enquanto a reportagem estava naquela via, foi possível observar algumas pessoas jogando mais entulhos e até um gato morto havia ali.
O autônomo Silvio Paiva disse que a prefeitura não recolhe aquele lixo há 15 dias. Ele se sente prejudicado, pois trabalha vendendo lanches no canteiro, e pede que a prefeitura solucione o problema. Além disso, ele afirma que a quantidade de mosquitos é grande no local, principalmente à noite. “Os vizinhos ligam para lá, mas eles demorar para vir recolher o lixo”, reclama.
EM NÚMEROS 990
Ocorrências da Dengue foram registradas em Belém desde janeiro até o dia 17 de agosto, segundo o Informe Epidemiológico da Sespa. Em seguida, os municípios com maior número de casos são: Parauapebas (320), Altamira (247), Senador José Porfírio (183), Canaã dos Carajás (126) e Alenquer (108).
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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